
Anteriormente em Supremacia Marvel: Vingadores...
Em Auburn, uma cidade americana localizada do estado do Maine, certo visitante chega a uma lanchonete e logo arranja trabalho, tentando conhecer tudo o que puder sobre o lugar.
O visitante é Steve Rogers, o Capitão América. Ele está caçando pistas sobre uma célula terrorista que está agindo em solo americano, aparentemente usando homens-bomba e que é a provável responsável por um atentado realizado na cidade de Nova York.
Depois de ser atacado por estranhos seres, que explodiam como se houvesse bombas em seus corpos, o Capitão foi capturado pelo líder da organização terrorista conhecida como Hidra, o Caveira Vermelha, que manda chamar sua filha para interrogar o prisioneiro.
A garota chega e, depois de ser destratada por seu pai, vai até a cela do prisioneiro e se lembra de como não apenas sua infância foi difícil, mas toda a sua vida, crescendo sob a sombra de um homem tão violento e cruel. Ela consegue parar o fluxo de memórias ao ficar de frente com o prisioneiro e se concentra, usando suas capacidades telepáticas para extrair todos os segredos do herói capturado.
Graças a Bucky, o programa que o Capitão América traz em sua mente, Pecado é derrubada, sem descobrir grandes segredos do herói e este, após vencer os guardas de sua cela, se prepara para destruir a célula terrorista do grupo conhecido como Hidra.
Mas ele aparentemente terá de fazer isso sozinho, pois seu programa já não responde mais.
Todos os caminhos se convergem e a história se encerrará agora.

Explosões infernais. Conclusão.
Por João Norberto da Silva.
Num local secreto, dois homens estão diante de um telão, tentando imaginar o que havia dado de errado com seu agente.
- O que cê acha que aconteceu doutor?
- Não sei ao certo... O programa estava passando informações, mas tomando o cuidado de não fornecer detalhes demais sobre a vida do rapaz, pelo menos até conseguir contra atacar, mas depois disso... Somente se eu o trouxesse para cá e...
- Não. – o outro interrompe a frase de seu colega de forma enfática, não dando abertura para questionamentos sobre aquele assunto. – O Capitão América deve encontrar seu caminho sozinho... Nós deveríamos apenas monitorá-lo e exercer certo controle através do programa mental. Agora não sabemos o que está acontecendo.
- Tenho plena fé nas capacidades do operativo... Acredito que, em poucas horas, ele terá completado a missão.
- Humpf... É melhor deixar meu pessoal de prontidão... E avisar meu agente local das possíveis complicações
- Não sabia que você já tinha alguém lá... Parece que não confia totalmente em mim ainda... Apesar de tudo o que eu já fiz para provar minha lealdade...
- Eu acredito sim em sua lealdade doutor... Só não cheguei onde estou por confiar cegamente nos outros... Acredite, quando eu for colocar todas as cartas na mesa, você será um dos primeiros a saber... Agora com licença... Tente reconectar o Capitão, ou seja lá como você chama isso... Só quero saber o que está acontecendo lá o mais cedo possível...
Quando é deixado sozinho o outro homem pega um dos vários comunicadores existentes naquele local e chama a única pessoa em quem confia totalmente nesse mundo.
Sua filha.
XXX
De volta a Auburn, mais especificamente na base secreta da Hidra, o Caveira Vermelha desce até a cela onde se encontrava seu mais recente prisioneiro, sendo acompanhado por Ossos Cruzados e mais dois soldados terroristas, que permanecem um pouco atrás de seus líderes. Os dois vilões conversam sobre os detalhes sobre o plano em andamento, quando o Caveira Vermelha pára de repente, ficando em silêncio sepulcral por alguns instantes. Os demais também estacam sua caminhada, tentando imaginar o que acontecera.
- Onde... - As palavras que saem da boca do Caveira lembram o som de uma lousa sendo arranhada. - Onde estão os guardas da cela?
Nesse momento Ossos e os dois soldados se adiantam, procurando proteger seu líder, mas este se desvencilha deles e entra na cela, já sabendo de antemão o que provavelmente iria encontrar lá dentro e não demonstra surpresa ao flagrar sua filha, Pecado, ajoelhada e passando uma das mãos pela cabeça, além do outro guarda que permanece desmaiado. O líder terrorista caminha sem ao menos olhar para o lado, dando um chute no guarda, que faz o mesmo acordar sobressaltado.
- Onde ele está? - O soldado da Hidra, ainda atordoado não consegue formular uma resposta e, desse modo, o Caveira puxa uma arma de um dos coldres do Ossos Cruzados e dá um tiro certeiro na fronte do homem caído que agora não se levantará mais. - Encontre o desgraçado Ossos... - Ele devolve a arma de seu principal agente e se volta para os demais. - Soem os alarmes... Temos um invasor e não sabemos a quanto tempo exatamente ele está à solta... Atirem para matar. - Ele se volta para Pecado que finalmente parecia conseguir ficar de pé. - Tente ser útil garota... Ou vou te enviar para mais longe do que mandei da última vez...
Dito isso, o vilão sai da cela indo na direção de seu escritório, tencionando pegar algo que ele viria a precisar, caso encontrasse com o invasor e sobrasse para ele resolver a situação, algo que ele, com sua vasta experiência, já esperava que iria acontecer.
Numa outra parte da base um dos soldados da Hidra está postado diante de uma porta que dá acesso a uma das várias salas onde é guardada parte do arsenal dos terroristas. Ele se mantêm o mais atento que pode, apesar da noite mal dormida, por conta de uma aposta perdida que resultou num plantão duplo de guarda. Mesmo piscando pesadamente várias vezes, tentando afastar o sono, ele se coloca em alerta quando ouve um som estanho perto de uma esquina daquele corredor.
Ele se aproxima de onde acredita ter vindo o som e não tem tempo de reagir quando sente algo pesado cair sobre seu corpo, pois um golpe é dado em sua nuca, deixando-o desmaiado.
O Capitão América arrasta então o corpo do agente caído para um local seguro, indo depois na direção da sala que este protegia. A visão de parte do arsenal à disposição da Hidra o deixa impressionado, mas ele sabe que não pode perder tempo, tentando mais uma vez entrar em contato com seu “parceiro”, ao mesmo tempo em que espalha vários explosivos no local e aciona seus timers.
- Bucky? Cê tá aí? Fala comigo caramba... - Vendo que é inútil insistir, ele se cala, relembrando como foi difícil reaver o resto de seu uniforme e seu escudo, tendo de andar por boa parte da base com o agente que ele havia mantido acordado. Claro que, assim que o terrorista o ajudou, o herói deixou o mesmo desmaiado e amarrado. - A essa altura o pessoal já deve ter achado o cara... É melhor eu me apressar e...
Um alarme começa a soar, deixando claro que todos já sabiam que ele estava livre, o que dificultaria ainda mais a realização do plano que ele havia traçado. Agora seria necessário ainda mais discrição para que ele encontrasse o local onde os homens-bomba estavam sendo criados.
Os corredores se encheram de soldados da Hidra à procura do herói, com Ossos Cruzados vociferando ordens, mas nenhum dos grupos de busca dava sinal de contato, muitas vezes, na verdade, alguns grupos deixavam de reportar informações e, quando localizados, os agentes estavam todos sem sentidos, com suas armas inutilizadas.
O herói atacava e se escondia, usando táticas de guerrilha, enfraquecendo as forças do inimigo, preferindo agir assim do que num combate direto onde, com certeza, sua desvantagem seria enorme. Desse modo ele ia vasculhando toda a base, até que alcançou um enorme portal ricamente decorado com motivos, no mínimo, demoníacos “Tem que ser aí, não é Bucky? Bucky? Tsc... pelo jeito, eu vou ter que encarar essa sozinho”. Assim que ele conseguiu achar uma entrada ele se viu num enorme salão, que mais parecia uma caverna esculpida na própria rocha, ao redor de um fosso de onde saía uma grossa coluna de fumaça negra.
O alarme não soava naquele lugar, era como se o herói tivesse entrado em outro mundo, tal era a atmosfera carregada do lugar, o que piorou quando ele viu um grupo de agentes da Hidra que vestiam roupas diferentes, eram como se fossem trajes cerimoniais. Outros soldados, esses trajados como os demais que o herói encontrara, entram no salão trazendo três pessoas amarradas que, a julgar pelo modo como agem, devem estar sob efeito de alguma droga, sendo levados à borda do fosso sem oferecer nenhuma resistência.
Palavras estranhas sãos ditas pelos cultistas e um deles, o que parece exercer o papel principal naquela cerimônia macabra, puxa uma enorme e estranha espada e, antes que o Capitão pudesse reagir, faz um pequeno corte no peito de cada uma das pessoas e nem assim elas esboçam qualquer reação.
No mesmo momento em que o filete de sangue de cada um deles toca a beirada do fosso, três formas de algo que lembra uma energia avermelhada, começam a subir, indo na direção das pessoas e, sem aviso nenhum, entram em seus corpos.
Mesmo estando longe de onde a cerimônia acontece e escondido atrás de uma alta formação rochosa que o esconde, o Capitão América reconhece o brilho nos olhos das pessoas abaixo como sendo o mesmo dos olhos dos homens-bomba com os quais ele já havia se encontrado.
“Um tipo de possessão? Se os últimos tempos não tivessem sido tão loucos eu não consideraria essa hipótese, mas... Puxa... Só pode ser isso e...”
- AARRRGGGHHHH!!!!!
Os pensamentos do herói são interrompidos quando ele recebe um chute em seu flanco direito, que o faz girar no ar, caindo pesado contra uma das rochas ao seu redor, de forma a conseguir ver seu atacante.
- E aí, moleque... - Era Ossos Cruzados que estava diante dele. - Imaginei que esse seria um bom lugar prá te achar... Afinal eu mesmo fico aqui vendo as cerimônias... E aí? Pronto prá morrer?
- Na verdade eu prefiro viver muito ainda! - E, deixando o escudo no chão, o herói se lança ao ataque.
Os dois cobrem a distância que os separa em segundos, para então trocarem golpes rapidamente. O Capitão América é ligeiramente menor que o seu inimigo e tenta aproveitar isso, desferindo um soco no baço do outro, este fica com sua guarda aberta por tempo suficiente para que o herói se abaixasse e acertasse a perna do Ossos atrás de seus joelhos, o que fez o mesmo cair ajoelhado.
O Capitão começa a dar vários socos no inimigo que, mesmo caído se defende, bloqueando as maioria dos golpes e terminando por acertar outros, até que consegue se levantar e acertar um chute no peito do herói, fazendo-o se afastar e dando um tempo para que os dois possam recuperar o fôlego.
- Arf... Arf... É tudo o que você tem moleque? – Ossos Cruzados cobre a distância entre eles e desfere um soco contra o rosto do outro, mas o Capitão desvia, aproveitando a velocidade do inimigo para jogá-lo contra uma parede próxima e o vilão sente algo atravessando seu corpo, próximo de sua cintura, era uma saliência na pedra. – AAARRRRRGGHHH!!!! Desgraçado!
Sem perder tempo falando, o herói retoma sua arma, cobre a distância entre os dois e acerta um soco certeiro no queixo do inimigo para, em seguida, desferir um chute no peito do mesmo. Aproveitando o corpo do Ossos como apoio, o Capitão dá um salto para trás e lança o escudo na direção de seu inimigo.
O vilão tenta se esquivar, ao mesmo tempo que joga seu corpo para frente se libertando, ele acha que conseguiu, uma vez que o escudo passa zunindo pela sua orelha esquerda. Ossos Cruzados ergue seu corpo, numa pose de desafio, apesar da quantidade generosa de sangue que sai de seu ferimento, lançando xingamentos contra o Capitão e exortando sua falta de habilidade.
- E agora eu vou te... AAAARRRRGGGHHHH!!!!!!!! – O vilão é atingido em cheio nas costas pelo escudo que, em seguida ricocheteia numa rocha e volta para a mão de seu dono. – De-desgraçado... E-eu vou... Te... Matar!!!!!!
Ossos Cruzados avança correndo como um touro bravio, cego de ódio e pela dor, o que o impede de perceber o golpe que o Capitão preparara, saindo de lado e deixando uma das pernas no caminho do vilão, que tropeça e, enquanto está caindo, recebe um forte golpe em sua nuca, o que o herói acha que será o suficiente para acabar com a luta.
Porém, o que acontece é o contrário.
- Hehehehehehehee... – Ossos se levanta, acariciando o local onde recebera o último golpe, quase como se nada tivesse acontecido. – Cacete moleque... Cê é bom mesmo! Tenho que admitir... Se aceitasse entrar prá nossa organização, ia ficar quase tão bom quanto eu... Quase... Eu nem vou perder o nosso tempo perguntando se você topa, está bem?
Um novo avanço, mas dessa vez, o vilão não dá tempo para que o herói planeje nada, o que resulta num soco no rosto que faz o Capitão literalmente voar para longe e, antes de ele se recuperar, o inimigo já se encontra a poucos centímetros dele, dando até para sentir o horrível hálito do outro. Ossos acerta mais alguns socos, desarma o Capitão, lançando o escudo longe e joga seu inimigo contra o chão, prendendo o mesmo sob seu corpo, começando a estrangulá-lo.
O Capitão ergue rápido as suas mãos e agarra os punhos do inimigo, tentando se soltar, mas ele já sente os efeitos que a falta de oxigênio provoca.
Ele sabe que precisa agir rápido antes que o outro o mate.
Nesse momento ele sente um formigamento no peito, que ele acredita ser por causa da falta de oxigênio que ele começa a sentir, mas o que se segue surpreende até mesmo o herói, uma vez que o formigamento parece estar provocando mais um aumento em sua força, o que possibilita que o Capitão América comece, lentamente, a retirar as mãos do outro de sua garganta.
Ossos Cruzados fica surpreso com a nova força apresentada pelo seu inimigo, o que o faz aumentar ainda mais o seu aperto, fixando seus polegares sobre a laringe do Capitão, procurando esmagá-la e encerrar aquela luta o mais rápido possível, afinal a derrota não era uma opção. Não tendo como líder o Caveira Vermelha.
Sentindo que ia desmaiar, o que seria morte certa numa situação como aquela, o Capitão América, num movimento desesperado, joga o corpo para cima e os braços para os lados, ainda segurando firmemente as mãos do vilão e, desse modo, conseguindo surpreendentemente se livrar do mesmo. Ele desfere um chute nos órgãos genitais de Ossos Cruzados, que tomba para o lado, praguejando contra seu inimigo e acariciando a parte atingida.
- Cof-cof... Doeu heim desgraçado? - O herói caminha devagar até recuperar sua arma e se volta para o inimigo caído, erguendo o braço com o escudo e descendo o mesmo rapidamente. - E espero que isso doa ainda mais!
O golpe é o suficiente para fazer com que a cabeça do Ossos Cruzados quase seja arrancada do corpo e o enorme capanga finalmente fica imóvel no chão, totalmente sem sentidos.
O Capitão América também cai sentado, esgotado pela luta, com a respiração ofegante e torcendo para ter um momento de descanso antes de continuar sua missão e destruir de vez aquela base da Hidra.
- Então... – “Claro que eu num ia ter nem um minuto né?” foi o pensamento do herói ao ouvir uma voz conhecida. – Você derrubou o desgraçado do Brock. Não sei se eu te mato ou se me entrego prá você como agradecimento... – Uma bela ruiva se coloca diante do herói, com uma arma em punho. Pecado tem um olhar que beira o insano em seu rosto. – Se eu te matar, talvez meu pai finalmente perceba o meu valor... Ou eu posso te ajudar a derrubá-lo, me tornando assim a líder da Hidra e... AAAAARRRRGGGHHH!!!!!!!
O corpo da garota cai sobre o Capitão América, ela tem um filete de sangue escorrendo de um canto da sua boca e uma coluna de fumaça negra subindo de suas costas, Pecado ainda tenta respirar, mas não consegue, apenas tossindo e respingando de sangue todo o rosto do herói.
Ele se levanta devagar, afastando gentilmente o corpo e deixando-a de lado, conseguindo assim ver de onde havia partido o ataque que tinha atingido a garota. Diante dele está Johann Schmidt, em pé, com uma das mãos estendida para frente, mão essa que enverga um tipo de luva metálica, ainda refulgindo com a energia usada no ataque.
- Bem, bem, bem... – Ele sorriu, mas não era possível captar nenhum humor no rosto do homem que acabara de assassinar sua própria filha. – A morte vai lhe fazer bem... Quem sabe resolva esse problema de rebeldia e sonhos de grandeza... Afinal, ela pensou mesmo que seria uma herdeira à minha altura?
- Seu... Louco... Desgraçado...
- Pode parecer clichê, mas preciso insistir que elogios não irão salvar sua pele... Garoto.
O Capitão América mal tem tempo de erguer seu escudo, sendo imediatamente atingido por uma rajada de energia que o lança exatamente sobre o local, metros abaixo, onde era realizado o ritual de possessão dos homens-bomba.
Ele sabe que não sobreviverá àquela queda e então sente sua mente começar a processar várias simulações, tentando encontrar uma em que o herói sobreviva.
- Ah! Dane-se!!! – Sem poder esperar mais, o Capitão América lança seu escudo atingindo uma coluna que estava precariamente erguida próximo da borda do fosso e que, ao ser atingida começa a cair. – É isso aí!
A coluna cai, enquanto o escudo ricocheteia até voltar para as mãos de seu dono, que o usa nos pés como um tipo de prancha de snowboard, descendo rapidamente pela agora pista de esqui que foi formada e acaba pousando, ou melhor, caindo com tudo no chão. Fazendo com que todos os envolvidos na cerimônia se pusessem a correr.
Ele ergue os olhos e vê o Caveira Vermelha no alto observando-o, mas antes de o herói começar a formular uma fuga, o vilão salta, caindo perfeitamente de pé diante dele, acertando em seguida um chute violento que ergue o Capitão América do chão, para em seguida atingi-lo uma segunda vez e, então, jogá-lo longe.
- Você não tem a menor chance e sabe disso... Garoto... – Agora o vilão segura seu oponente pelo colarinho da roupa, trazendo o mesmo para perto dele. – Última chance... Desista e una-se a mim... Juntos nós iremos transformar o mundo à minha imagem e... Hummmpf...
O Capitão consegue erguer sua mão, onde está o escudo, acertando com tudo no rosto do vilão que apenas se afasta um pouco antes de se voltar mais uma vez para o herói. Agora ele exibe um estranho e enorme corte na pele de sua bochecha. Por baixo da pele existe algo que lembra os olhos dos homens-bomba, algo de cor vermelha, algo doentio. O herói tem seu escudo arrancado de sua mão e é jogado com violência contra o chão.
- Muito bem... – Ele coloca um dos pés sobre o peito do inimigo caído, remexendo no ferimento de seu próprio rosto e arrancando pedaços generosos da pele, revelando assim sua verdadeira face que, como seu nome já dizia, é uma caveira vermelha, coberta com uma pele estranhamente translúcida. – Surpreso? Ora... De onde você pensou que eu tinha tirado o meu nome?
- E-eu vou... – O Caveira ataca seu inimigo, fazendo com que um fino raio de energia saia de seu dedo indicador e atravesse o ombro do herói, mantendo-o preso. – ARRRGGGHHH!!!!!!
- Vai ficar quietinho... Só vai falar quando eu der permissão... Hahahahahaha... Você acreditou mesmo que conseguiria entrar no meu território, invadir minha base e destruir minha operação? – Nesse momento uma mulher começa a sair das sombras e caminha de forma lenta e sensual na direção do vilão. – Você esteve sendo manipulado desde que chegou aqui... – Finalmente a mulher entra no campo de visão do herói caído e este se remexe, ao reconhecê-la, aumentando assim a dor em seu ombro. – Sim... A doce Peggy me avisou da sua chegada... Tenho olhos e ouvidos por todo esse lugar, meu caro... Desde a última invasão eu me preparei... Os moradores são minhas “câmeras de segurança”, mesmo sem eles saberem...
Uma lágrima desce do canto de um dos olhos da garota, o que faz o Capitão entender que ela está lá contra sua vontade. Usar pessoas inocentes como bombas humanas, possuindo-as com demônios, roubar as vidas dessas mesmas pessoas para servirem a seus propósitos, o herói não saberia dizer se foi tudo isso, ou se foi a lágrima de Peggy, mas o fato é que, de repente, ele sente uma raiva crescendo dentro dele, o que o fortalece ainda mais.
Assim o herói consegue erguer um de seus pés, chutando a mão do Caveira e, ao fazer isso, quebra a linha que energia que o mantinha preso. Ao se erguer, ele constata que seu braço está inutilizado.
Antes que o vilão consiga se recuperar, devido ao fato de Peggy ficar em sua frente, atrapalhando-o, o Capitão recupera seu escudo e, com o mesmo, acerta um potente soco no rosto do inimigo, não dando tempo para que este use sua luva, mas infelizmente ele não consegue ficar muito à frente do Caveira que, tendo jogado a garota para um lado retoma o ataque, forçando o herói a se esquivar de mais uma rajada de energia, se escondendo atrás de uma pilastra e procurando um meio de se aproximar do inimigo.
- Não vai conseguir se esquivar para sempre... A Garra de Satã possui uma energia rara... – Ele mantém sua mão erguida diante do corpo, enquanto o Capitão tenta surpreendê-lo avançando por trás. – Por exemplo... Quando disparo um raio... Ele persegue meu alvo!!
O raio de energia disparado pelo vilão faz uma curva inesperada e por pouco não atinge o herói, que ergue seu escudo na última hora, sendo jogado para trás por conta da força concussiva que o atinge, mas mesmo assim ele consegue se manter em pé, ao mesmo tempo em que precisa escapar de outra rajada de energia.
- Posso continuar com isso por muitas horas meu caro! Mas acredito que você não, afinal, mesmo você não deve estar na melhor das formas, depois de ter um prédio desabando sobre a sua cabeça, ou depois da minha rajada que... Deixe eu adivinhar... Inutilizou seu braço?
O Capitão passa a mão sobre seu braço ferido, sem largar seu escudo e comprova as palavras do inimigo, mas antes que ele possa fazer algo, já precisa se defender de outra rajada, que o erra por pouco e logo ele ergue seu escudo diante do corpo, contendo outra rajada.
Por um instante o ataque cessa e o Capitão olha por cima de seu escudo, vendo que a situação, que já era terrível, acabara de piorar, pois agora existem vários soldados da Hidra ao seu redor, todos de armas em punho, impossibilitando qualquer tentativa de fuga.
- É isso aí, garoto... Fim de jogo... Agora se você fizer o favor de largar o escudo e erguer o seu braço bom eu...
Nesse exato instante um alarme como o de um relógio começa a ser ouvido e o Capitão América se abaixa, erguendo o escudo acima de sua cabeça, o que o Caveira entende como desespero de um inimigo derrotado, mas só por um instante, pois logo ele entende o que vai acontecer.
- Atitude desesperada de um inimigo derrotado e... – A compreensão chega a ele junto com o som da primeira explosão, que sacode todo o enorme salão de rituais. – Maldito!!!!
O vilão tenta disparar uma nova rajada, mas é impedido pelo herói que, se jogando contra ele, o acerta com o escudo no peito, aproveitando que os soldados da Hidra começam a fugir desesperados, por conta de uma nova série de explosões que fazem todo o complexo estremecer.
O Caveira, vendo tudo começar a ruir, ainda tenta um ataque desesperado, concentrando energia na Garra de Satã e saltando sobre o herói, procurando acertá-lo com um soco que, com certeza, mataria seu inimigo, mas mesmo em meio aos sons ensurdecedores da destruição da base, o Capitão percebe a aproximação do vilão e, no último instante, usa a velocidade do mesmo para segurá-lo e, com um golpe de judô, jogá-lo dentro do fosso.
O grito do vilão ecoa durante alguns minutos, mas logo é substituído pelo grito de Peggy, que está prestes a ser esmagada por uma enorme rocha.
O Capitão consegue, indo contra todas as possibilidades e se esforçando ao máximo, salvar a garota que acaba por desmaiar em seus braços. Percebendo que os soldados da Hidra estavam todos ocupados em salvar as próprias vidas, ele trata de buscar sua própria saída, mas não sem antes apreciar o que as cargas explosivas que ele havia plantado estavam fazendo “Não vão mais matar inocentes, seu malditos”.
No lado de fora os moradores de Auburn assistem apavorados a sede da construtora Kronas estremecer e, depois do som de uma série de explosões, começar a ruir, vindo abaixo em poucos minutos.
A polícia recebe misteriosamente ajuda do exército, para poderem prender os membros da Hidra que emergem de vários pontos da cidade, vindo de túneis que haviam sido construídos para uma emergência como aquela. A imprensa recebe um comunicado de que os terroristas responsáveis pelo atentado ao prédio de Nova York foram detidos. Nenhuma menção ao Capitão América é feita.
Longe dali, na saída de um desses túneis, no alto de um morro próximo, o Capitão está parado, com Peggy em seus braços. A garota desperta aos poucos e fica parada diante do herói, cabeça baixa por conta da vergonha que está sentindo.
- Eu... Me perdoa Steve... – Ela o abraça e começa a molhar o uniforme dele com lágrimas. – E-ele havia prometido me levar pra longe... Pra outra cidade e... E recomeçar minha vida... Eu... Não pude dizer não e... Logo depois ele me controlou, eu num conseguia me livrar... Eu não sei como ele fez, mas... E-eu...
Sem aviso ela o beija, como fizera antes e é correspondida, mas de repente, ele sente a boca dela começar a esquentar em demasia, se afastando e olhando-a bem nos olhos.
Olhos que começavam a ficar avermelhados.
- Ste... – A boca dela começava a soltar a característica fumaça que antecedia a explosão. – Steve... P-por favor...
O herói a abraça, mas a mesma se desvencilha, saltando em seguida do morro, mas explode antes mesmo de alcançar o chão abaixo.
O herói fica parado por alguns instantes, mas logo se lembra que precisa ir embora antes que a explosão atraia as autoridades e ele não está em condições de responder nenhuma pergunta. Ele vai até seu furgão, torcendo para que o mesmo ainda esteja onde ele deixou, pretendendo dormir o máximo que puder, com ou sem pesadelos. Sua maior preocupação no momento é o silêncio de Bucky, mas mesmo isso fica em segundo plano, diante da satisfação de ter conseguido encerrar sua missão. Se ao menos seu coração parasse de doer por conta de Peggy, sentindo que ele falhara miseravelmente com ela, tudo estaria perfeito.
Mas ele sabe que, se surgir uma nova ameaça à vida de inocentes, ele fará tudo ao seu alcance, pois finalmente Steve Rogers acredita ter encontrado seu destino.
O Capitão América veio para ficar.
Apenas o começo!
Epílogo 1:
Na sede da S.H.I.E.L.D, a organização secreta responsável por ter colocado o Capitão América no rastro da Hidra, dois homens conversam sobre o sucesso da missão.
- Vários agentes da Hidra foram presos, os cultistas responsáveis pelas possessões dos cidadãos de Auburn, também e estão nos dando ótimas dicas sobre essa “técnica” Doutor Barnes...
- Pode me chamar de James, comandante, ou Bucky...
- Não é muito egocentrismo nomear o programa da cabeça do Rogers com o seu apelido?
- Na época me pareceu o mais certo a fazer... – James Buchanan Barnes ainda não podia acreditar que deixara de ser o chefe do projeto Renascimento para ser membro de uma organização como aquela. – E eu te chamo de... Senhor Fury?
- Pode me chamar só de Nick... Senhor Fury era meu pai e Nick Fury seria formal demais... Agora sobre o tal programa? Ainda está inativo? Não podemos encontrar o garoto?
- Estou fazendo o possível, mas até agora o programa não voltou a ficar ativo...
- Humpf... De qualquer modo eu tenho outros agentes para contatar, acho que podemos deixar o Capitão por conta própria por enquanto... Quando chegar o momento eu sei que ele estará lá... Aliás, preciso informar o Operativo Monroe que ele pode abandonar seu disfarce em Auburn... No último relatório ele salientou que não aguentava mais fazer hambúrgueres...
- Você tinha outro operativo na cidade? Não me contou isso também...
- Preciso sempre estar à frente dos inimigos doutor... Não posso me arriscar a cometer um único erro sequer...
- Hum... Seus planos continuam um mistério... Veja bem, não quero parecer mal agradecido, mas...
- Tudo a seu tempo, Bucky... Tudo a seu tempo... Agora se me permite, sua filha, a adorável Sharon Carter, aliás eu notei que ela não tem o seu sobrenome...
- Quando eu e minha esposa nos separamos Sharon decidiu ficar apenas com o sobrenome de solteira de minha esposa... E o manteve assim, uma homenagem à minha ex-esposa, depois que ela faleceu...
- Sua filha é muito espirituosa... Acredito que ela será uma grande adição ao meu projeto pessoal
- Ela é adulta e faz sua próprias escolhas, mas... Eu poderia saber qual é o grande projeto?
- Certo... Se é respostas que você quer e como sua filha provavelmente será parte dele, venha até meu escritório. - Nick Fury passa um braço pelo ombro do cientista e começa a levá-lo para fora do laboratório onde estavam. - Vamos falar sobre o Projeto Vingadores...
Epílogo 2:
Num lugar sombrio, uma figura aparentemente humana coloca peças em um tabuleiro de xadrez, que está colocado à sua frente. As peças são representações fiéis do Capitão América e do Caveira Vermelha.
- Finalmente as primeiras peças tomam seus lugares... Que venham as demais... – E sua risada sinistra preenche todo o lugar.
[1] Quem lê os quadrinhos da Marvel já sabe que a sigla SHIELD significa Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão, né?

