Em Auburn, uma cidade americana localizada do estado do Maine, certo visitante chega a uma lanchonete e logo arranja trabalho, tentando conhecer tudo o que puder sobre o lugar.
O visitante é Steve Rogers, o Capitão América. Ele está caçando pistas sobre uma célula terrorista que está agindo em solo americano, aparentemente usando homens-bomba e que é a provável responsável por um atentado realizado na cidade de Nova York.
Em meio a um passeio com Peggy, uma garçonete que ele conhecera naquele dia, o casal é surpreendido pelo ataque de um dos moradores que, depois de ser desarmado, apresenta olhos vermelhos e fumegantes, explodindo logo em seguida.
Deixando Peggy a salvo em seu furgão, Steve veste seu uniforme e sai pelas, ruas procurando os responsáveis pela bizarra transformação do morador, mas o herói logo se vê cercado por outras pessoas, todas com os característicos olhos vermelhos.
Um tiro é disparado e somente tarde demais o Capitão percebe que não era o alvo e sim um dos homens-bomba ao seu redor, que morre e começa uma reação em cadeia, cujas explosões destroem parte da rua onde todos estavam.
Após ser retirado sem sentidos dos escombros ele é levado pelo Caveira Vermelha e seu braço direito, Ossos Cruzados. Este indaga o que ambos farão e o vilão responde:
- Vamos descobrir todos os segredos dele... Chame minha filha...
E a história continua agora.
A Supremacia Marvel orgulhosamente apresenta:

Explosões infernais. Parte 2.
Por João Norberto da Silva.
No esconderijo secreto da principal célula do grupo terrorista conhecido como Hidra, localizado alguns andares inteiros abaixo da sede da Construtora Kronas, uma garota ruiva, com um belo corpo e não aparentando mais do que dezoito anos, anda apressada pelos corredores.
Todos os terroristas que a encontram se afastam respeitosamente, com um brilho de medo nos olhos, o que a garota sempre percebe, causando um pequeno sorriso ao ver o que sua presença causava nos “corajosos” soldados de seu pai.
Ela segue com passos confiantes até parar diante de uma porta que ela já conhece bem, mesmo tendo estado lá pouquíssimas vezes, todas chamadas de emergência feitas pelo homem que ela sabe que deveria odiar, mas pelo qual nutre uma fidelidade que beira à loucura.
- Mandou me chamar, papai? – Ela, como sempre, entra de supetão, esperando flagrar o homem responsável pelo seu nascimento em alguma situação delicada, mas, também como de costume, ela apenas o encontra sentado atrás de uma rica e exuberante escrivaninha, numa pose de quem sabia o exato momento em que ela entraria lá. – Humpf... – A ruiva caminha com passos ainda mais firmes até a cadeira que já a esperava, sentando-se com um semblante sério. – O que foi agora?
- Seus talentos são necessários mais uma vez, Pecado... Tenho um novo invasor e este parece mais forte que o anterior...
- O tal de Escudo Azul? Ele era uma piada... – Pecado gargalha se lembrando do “interrogatório” ao qual submeteu o último herói que havia aparecido na cidade e que, assim como o Capitão América, havia sido capturado para depois ser entregue aos cuidados da filha do Caveira Vermelha. O Escudo Azul, porém, acabou não revelando nada de importante sobre quem o havia mandado. – Espero mesmo que esse novo prisioneiro seja mais forte... De repente um desafio me tira desse tédio eterno...
- Eu a enviei para uma das áreas mais perigosas na região ocupada do Iraque, para que você fomentasse os conflitos... Afinal uma paz, ainda que ilusória, não ajuda em nada os planos da Hidra, ou seja, foi uma grande responsabilidade... Não imagino o que possa ter lhe causado tédio por lá...
- Ora, papai... Você sabe que, hoje em dia, enfrentar aqueles soldados babacas já não é um desafio... Preferiria estar aqui, ao seu lado, onde as coisas legais estão acontecendo...
- Bem... Continue seguindo minhas ordens e talvez, apenas talvez, eu a considere digna de estar ao meu lado... Mas lembre-se, quando voltar a sentir tédio, que foi apenas por uma passageira fraqueza e pela promessa de sua mãe, de que você seria útil para mim, que a deixei viva... Portanto espero que nunca mais minhas ordens sejam minimamente questionadas... Estamos entendidos?
A garota baixa os olhos, não querendo que seu pai visse o menor sinal de tristeza que ela poderia transparecer, o que seria, com certeza, tomada como um sinal de fraqueza, resultando em mais humilhação. Ela engole em seco e volta a falar, tentando manter o tom firme e desafiador:
- Então... Onde está ele?
- Você já conhece o caminho para a sala de interrogatórios... – Nesse momento Ossos Cruzados entra na sala. – Agora saia daqui e vá fazer seu serviço... Não devo demorar, mas caso você termine antes de eu aparecer, prepare um relatório e me entregue logo em seguida... Tenho assuntos importantes para tratar com o senhor Rumlow aqui...
- Sim senhor...
Pecado sai da sala com o coração ardendo de ódio, não apenas pelo modo como fora tratada, mas também pelo seu relacionamento secreto com o braço direito de seu pai. Ela sentia cada vez mais a necessidade de derrubar o Caveira Vermelha da liderança da Hidra para poder, de uma vez por todas, assumir a posição dele e agir com a liberdade que sentia estar lhe sendo negada. A relação com Ossos Cruzados fora uma tentativa de enfraquecer o poder do Caveira, mas se mostrou inútil quando ela foi enviada para longe e viu que seu amante não esboçou a menor reação.
- Salve a Hidra! – Dois soldados rasos recebiam-na diante da porta onde o prisioneiro deveria estar, com uma saudação que lembrava a dos nazistas. – Corte uma cabeça e duas outras tomarão seu lugar!
- Certo... Blá-blá-blá... Abram a cela e saiam da frente... Lembrem-se de não me incomodar de maneira nenhuma entenderam? Vocês não gostariam de saber o que aconteceu com o último que me atrapalhou durante uma sessão de interrogatório...
Os soldados apenas engolem em seco e fazem o que ela manda, para deleite da bela ruiva que se sentia assim renovada após o modo como o próprio pai havia tratado-a. Como sempre acontece antes de um interrogatório, ela se recorda de sua vida, de como ela teve de sofrer, apenas para conseguir um pouco de respeito do pai, o que se mostrou inútil até hoje.
Após seu nascimento, a garota quase foi abandonada no hospital por ter nascido com o “sexo errado”, como seu pai sempre deixou muito claro, apenas sua mãe aparentemente a amava, treinando-a até que ela pudesse se tornar digna de herdar todo o império que o pai erguera, o que ele também deixava claro que nunca aconteceria. Anos mais tarde ela descobriu que a mãe apenas queria mostrar para o Caveira que ela poderia transformar uma menina inútil em um verdadeiro demônio.
Cuidado com o que se deseja, é o que diz o velho ditado.
Certo dia a garota entrou no escritório do pai com o corpo de sua mãe nos braços, dizendo que ela própria havia dado cabo da vida da mulher que a gerara, após descobrir o porquê de ela ter implorado pela vida da filha. Quando questionada sobre como havia feito tais descobertas, Pecado mostrou aquela que seria a habilidade que faria com que ela ingressasse na Hidra: Telepatia.
Ela jamais vai esquecer do golpe que levou no rosto, ao tentar mostrar suas habilidades em seu próprio pai que, estranhamente, se mostrou imune ao poderes dela, mas que foi esperto o bastante para acolhê-la e treiná-la na “arte” do interrogatório, arte na qual ela se mostrou excepcional.
Nessa mesma época o Caveira Vermelha conheceu o marginal conhecido como Brock Rumlow, numa das várias seleções para escolher novos membros para a Hidra e logo o tomou como seu pupilo, causando rumores de que finalmente o vilão arranjara um herdeiro. Claro que muitos dos quais espalhavam essas histórias, acabavam sendo encontrados mortos de formas horríveis, quando seus nomes chegavam aos ouvidos de certa ruiva.
Pecado recorrentemente entrava em longas discussões com seu pai, o fato dela o questionar parecia ter feito com que ela ganhasse um pouco do respeito dele, mas afinal ela percebeu que, exatamente por causa disso, fora mandada para outro país por um tempo, uma clara tentativa de mantê-la longe e calada. Nem o relacionamento que ela procurou ter com Rumlow a ajudou nesse momento, afinal ele preferiria perdê-la a enfrentar o Caveira.
O pequeno flashback a fez fechar os olhos e, antes de entrar na cela, ela respira profundamente, recuperando o autocontrole que era necessário antes de uma sessão de tortura.
O homem que ela vê à sua frente está acorrentado pelas mãos ao teto e pelos pés às paredes laterais da cela, sendo mantido erguido há alguns metros do solo e vestindo apenas sua calça, todo o resto do uniforme, bem como seu escudo foram levados para outro lugar. Pecado não deixa de reparar no quanto este era mais bonito que o anterior, que cometeu suicídio, depois dela extrair tudo o que ele poderia contar-lhe.
Ela passa a mão carinhosamente pelo lado do rosto dele, admirando-o e já antevendo o prazer que sentiria ao quebrar seu espírito. Sua mão desce mais até parar bem no meio do peito dele, onde crava uma das unhas, descendo bem devagar pelo mesmo até que sua nova vítima finalmente parece acordar.
- Arrrrr... Q-quem... Cof-cof... Quem é você?...
- Sua fada madrinha é que eu não sou... Vem cá prá gente se conhecer melhor... – Com o invasor anterior ela havia cravado as unhas direto na cabeça, mas com Steve ela aproveita para se vingar de Rumlow e então enlaça o prisioneiro com um longo beijo e imediatamente os segredos dele invadem a mente da garota.
Sua família é rica, o suficiente para mais de uma vida de luxo, mas mesmo assim, ele não se conformava com o modo como o mundo estava caminhando e terminou usando seu dinheiro para financiar vários projetos sociais pela cidade de Nova York, sua filosofia era: Se os ricos se unissem e resolvessem ajudar as cidades onde moravam, não ficariam menos ricos e ainda ajudariam muitas pessoas a melhorarem de vida.
Com apenas vinte e seis anos, no entanto, ele se mostrava incrivelmente volátil, criando novos projetos e abandonando-os a cuidados de outros com extrema facilidade, sempre com a mesma desculpa:
- Ainda não achei o meu destino.
A maioria das pessoas com quem ele falava se surpreendia com suas palavras, não acreditando que alguém tão jovem, e rico pudesse ter tanta solidariedade para com desconhecidos, o que ajudava e muito para que ele alcançasse os objetivos das causas que abraçava.
Não apenas querendo ajudar com doações, ele sempre se envolvia pessoalmente nos trabalhos sociais e logo estava atuando como voluntário de um projeto que visava ajudar crianças carentes a não entrarem no mundo do crime e das drogas, ensinando-as a desenhar e pintar, habilidades naturais que ele tinha.
“Chato, chato, chato...” Pecado sente que irá se entediar rápido e resolve forçar seus poderes, avançando mais nas memórias do prisioneiro “Me mostra seus podres...”.
Durante um grande dia de festa, tentando arrecadar dinheiro para a reforma de um orfanato, ele conheceu Rachel Leighton e ambos se apaixonaram perdidamente, vivendo seu amor sem pensar muito no amanhã, como a garota lhe ensinara. Viver assim sem limites, pelo menos para ela, era também consumir altas doses de vários tipos de drogas, vício no qual ele a acompanhou, tão cego que estava pela paixão. Ele acreditava que seu amor seria o suficiente para que ambos vencessem seu vício. Juntos.
E como acontece muitas vezes em histórias como essas, ele se afundou rapidamente, se viciando cada vez mais, perdendo peso, ameaçando sua saúde e deixando claro para todos os que o conheciam que algo estava errado, devido às mudanças em seu jeito de agir e outras que acompanharam o vício. Provavelmente ele teria morrido de overdose em breve, mas certo dia algo aconteceu, algo que mudou totalmente a sua vida.
Ele havia conseguido roubar um dos vários cartões de crédito de seu pai, com certeza o mesmo não daria falta, era o que o rapaz acreditava. Após uma passada rápida por um banco vinte e quatro horas, ele se encontrou com um traficante, Sam “Falcão” Wilson, conseguindo uma grande dose que, sem poder esperar, fez com que ele se dirigisse o mais rápido possível ao beco mais próximo.
Enquanto ele preparava uma seringa, já com a manga arregaçada, um grito de mulher pôde ser ouvido e ele, mais por curiosidade do que por qualquer outro motivo, afinal ele fora interrompido e queria saber por quem, seguiu na direção de onde viera o grito.
Ao chegar à entrada do beco ele viu um homem e uma mulher, provavelmente pai e filha devido à óbvia diferença de idade entra os dois, sendo ameaçados por um sujeito mascarado, empunhando uma arma “Deve ser só um assalto” ele pensou e, como o falava mais alto, o rapaz começou a voltar para o que estava fazendo, quando o som de um tiro o fez se voltar novamente, vendo que o homem, com a perna sangrando muito, estava sendo amparado pela garota.
Sem parar para pensar, após jogar fora a seringa e tudo o que havia comprado, o rapaz se lançou contra o bandido, mas ainda estava sob o efeito que a falta da droga havia causado ao seu corpo e, com as pernas bambas, ele não conseguiu se aproximar rápido o suficiente, dando o tempo exato para que o outro disparasse três tiros, que atingiram o rapaz em cheio no peito.
Enquanto ele caía, ainda incrédulo com o que acontecera, o rapaz viu a garota deixar seu pai no chão e desarmar o bandido, o que fez com que ele desejasse que ela tivesse feito aquilo antes, mas nem pôde fixar a mente nesse pensamento, pois logo seus olhos, cheios de lágrimas, foram se fechando lentamente.
E então tudo escureceu.
Ele teve alguns lampejos do que estava acontecendo, vários flashs de dor que encheriam seus sonhos futuros com pesadelos, mas ele nunca conseguia manter a consciência por tempo o suficiente para sequer questionar sobre o que estava acontecendo, pois logo a escuridão voltava.
Quando ele finalmente acordou, ficando alguns minutos em profundo silêncio até ter certeza de que não ficaria desmaiaria outra vez, ele começou a olhar ao seu redor, percebendo estar no que parecia ser um quarto de hospital, mas com vários aparelhos que deviam ter saído de um filme de ficção científica. Ele ouviu o som agudo e insistente de um aparelho que aparentemente estava ligado a ele e, de algum modo, parecia monitorar suas funções vitais.
- Bem vindo de volta ao mundo dos vivos... – Era o homem que ele havia salvado. - Temos muito sobre o que conversar meu jovem...
O homem se apresentou e contou que ele era um importante cientista do governo, responsável por um projeto importante e que havia sido vítima de mais um atentado, que quase deu certo, mas dessa vez sendo frustrado pelo jovem mais corajoso que ele conhecera e que, exatamente por isso, não podia ficar parado enquanto o rapaz morria.
- M-meus... Pais...
- Para todos os efeitos você está numa viagem... Pouco depois de termos trazido você até aqui, eu mesmo fui falar com seus pais, contando o que havia acontecido, tomando cuidado para omitir alguns detalhes como os três tiros que você tomou, e disse que, de livre e espontânea vontade, você me acompanhou... Todos acham que estamos numa clínica de reabilitação, o que não está tão longe da verdade...
- O-onde estamos? O... O que você fez comigo?
- Eis as grandes perguntas não? Acredito que você está com sede... – Ele então pegou um copo que parecia de metal e o encheu. – Tome... Beba um pouco de água...
- Ei!! – O rapaz mal havia segurado o copo e o mesmo foi esmagado como se fosse de plástico. – Que brincadeira é essa?! Eu...
Achando graça e pedindo calma, o outro começou a explicar o que havia acontecido.
O rapaz havia passado pelo projeto que o cientista havia comentado, cujo objetivo era criar uma série de super agentes, dotados de capacidades únicas, para a defesa do país, porém o processo incluía uma série de cirurgias delicadas e a exposição a uma certa radiação específica que havia sido descoberta há pouco tempo. Todo o processo tinha uma margem de fracasso enorme, onde o rapaz fora, surpreendentemente, o único sucesso deles até então, mesmo com o fato de ter três balas alojadas no peito. Os religiosos chamariam aquilo de verdadeiro milagre.
O cientista chamou de destino.
- O que aconteceu com os outros? – Assim que fez a pergunta, ele se arrependeu e, no olhar sério e triste do cientista, ele teve sua resposta. – Oh... Certo... Eu... O-o que vai acontecer agora? Eu... Posso ir prá casa?
- Veja bem... Como você notou, com o que fez ao copo de metal, acredito que um período de adaptação ao seu novo corpo se faz necessário, senão vital...
- Adaptação? Novo corpo? – Foi então que ele jogou os lençóis para o lado e, olhando para seu corpo e finalmente prestando atenção em seu braço, o que ele não tinha feito até então, o rapaz constatou que seu físico estava muito melhorado e definido, como se ele tivesse praticado musculação durante todos os últimos meses e não se drogando, o que o fez lembrar que também não se sentia tão bem há tempos, levando-o ao seu último questionamento naquele dia. – O que vocês fizeram comigo?!!
Com muita paciência e tendo de fazer várias pausas para explicar os pormenores técnicos, o cientista explicou que o corpo do rapaz havia evoluído até atingir o ápice do desenvolvimento humano, além de outras habilidades, incluindo até certo grau de super-força, como ele havia demonstrado ao esmagar o copo de metal.
O mais importante, no entanto, e que foi salientado pelo cientista, é o que eles fariam a seguir, o rapaz foi o primeiro e, até descobrirem outros como ele, que pudessem sobreviver ao processo, ele seria treinado como se fosse um “artigo único”.
E assim começou o treinamento.
O rapaz nunca tinha passado por tal situação, acostumado como estava com as mordomias que o dinheiro de sua família lhe proporcionava, até acordar às seis da manhã foi um sacrifício no começo, mas logo o fato de aparentemente ter se livrado do vício das drogas deu uma injeção de ânimo do jovem e ele entrou de cabeça naquela nova vida que se descortinava diante de seus olhos.
Exercícios físicos o ensinavam a lidar com sua nova força, além de aguçar sua agilidade, velocidade e outras habilidades que ele usava durante as sessões de combate, onde ele aprendia vários estilos e como usá-los em situações reais. Depois de um tempo, os oponentes passaram a usar armaduras especiais para conter os golpes que recebiam.
Quando não estava treinando seu corpo, o tempo do rapaz era preenchido com aulas de estratégia militar, história, geografia, atualidades, enfim tudo o que ele poderia precisar para ser capaz de realizar qualquer tipo de missão que lhe fosse confiada. Além disso tudo, é claro, ele foi submetido a um mais rigoroso ainda programa de reabilitação, para ter a certeza de que seu psicológico acompanhara a mudança física, eliminando todo e qualquer traço de dependência que ele pudesse ter.
Certo dia ele teve outra surpresa.
- Um discão prateado? – Ele ficou perplexo ao receber aquela que seria sua “arma”, entregue a ele pelo cientista, no meio de uma sessão de treino. – O que vou fazer com isso?
- Estamos estudando meios de você usá-lo tanto defensivamente, como um escudo, quanto ofensivamente como... Hum... Por enquanto tente atirá-lo com toda a força contra aquela parede como se fosse um daqueles discos olímpicos... – O rapaz imitava as imagens que ele vira do conhecido esporte. – Isso... Assim mesmo... Agora lance! – O escudo cravou na parede, deixando os presentes surpresos. – Ele é feito de uma liga especial, praticamente indestrutível e, bem... Dá prá imaginar o estrago que ele causaria num ser humano certo?
Meses se passaram e então o cientista levou o rapaz até uma sala em que ele nunca havia estado, o local era simples e tinha apenas um tipo de tubo no centro, que ia do chão até o teto, mas o que chamou mesmo a atenção dele foi o que tinha lá dentro.
Era um tipo de manequim trajando um uniforme, nas cores da bandeira americana, com uma grande estrela no peito de uma jaqueta sem mangas e uma letra “A” no capacete que acompanhava o traje, ao lado do braço direito do manequim estava o disco de tempos atrás, agora totalmente pintado com outra grande estrela ao centro e com listras ao redor dela. Ele voltou o olhar ansioso para o cientista e, depois desse fazer um sinal afirmativo com a cabeça, o rapaz começou a se vestir. Logo ele estava totalmente uniformizado e se admirava numa das paredes espelhadas da sala.
- Vou ser sincero, garoto... Desde que você chegou aqui não conseguimos repetir o sucesso do projeto com mais ninguém... Sendo assim estamos avançando o projeto para sua segunda fase, que consiste em transformar você no agente que anteriormente seria parte de um exército de pessoas aprimoradas como você foi...
- Eu... Não sei se sou a pessoa mais indicada... Hã... Não sei como dizer isso, mas ultimamente tenho ouvido vozes e... Por favor não ache que estou louco ou sou ingrato, eu quero muito ser algo como um herói, sinto que finalmente encontrei o meu destino, mas é... Bem...
- Vozes? Ou apenas um tipo de voz específica? Que parece ajudar você em algumas das tarefas ou treinos?
- Hã...
- Não se preocupe... É um programa desenvolvido para agir como... Hum... Na falta de um termo melhor... “Ajudante”... Ele lhe auxiliará com informações de todo o tipo e... Bem... Você descobrirá com o tempo... Prepare-se, pois meus superiores avisaram o governo sobre você e uma comissão foi criada para vir em poucos dias analisar nossos avanços... Esse é mais um dos motivos para que eu te mostrasse esse uniforme... Amanhã acordaremos cedo, escolheremos um codinome e veremos tudo o que ainda falta antes da vistoria... – Percebendo que o rapaz mal o ouvia ele deu a conversa por encerrada. – Bem... Tente dormir cedo hoje... Amanhã será um dia cheio...
O rapaz, de tão deslumbrado com o uniforme, mal prestou atenção no tom profético das palavras do cientista.
Na manhã seguinte, muito mais cedo do que de costume, o rapaz acordou sentindo seu corpo ser violentamente chacoalhado e quando ele finalmente abriu os olhos, viu o rosto assustado do cientista que, falando rápido demais para ser totalmente compreendido, mandava que ele se levantasse o mais rápido que fosse possível e se vestisse.
Ainda um tanto tonto por causa do despertar repentino, o rapaz fez como foi pedido, colocando uma roupa qualquer, enquanto o outro lhe entregava uma mochila onde, segundo ele, estavam o escudo e o uniforme. O rapaz só foi despertar totalmente quando ambos já estavam correndo pelos corredores da base e sentiram tudo tremer por conta de uma violenta explosão que aconteceu.
O cientista ignorava os pedidos de explicações do outro, fazendo com que ele continuasse correndo até chegarem em uma outra sala onde o rapaz nunca estivera, lotada com o que pareciam veículos aquáticos individuais, onde ele foi colocado em seguida pelo cientista.
Despreparado para o tranco que recebeu, quando o veículo atingiu as águas escuras da região portuária de Nova York, o rapaz desmaiou e, quando finalmente recuperou os sentidos, ele estava caído no meio do Central Park. Ele se levantou, olhando assustado ao seu redor e a primeira reação foi a de correr para casa onde, assim que bateu na porta, foi recebido com festa pelos seus familiares.
E que festa! Os pais do rapaz ficaram tão contentes que prepararam uma enorme comemoração em apenas poucas horas e, quando a noite começava a cair, ele saiu de seu quarto, onde passara o dia inteiro depois de alegar o quanto estava cansado, se surpreendendo com o tamanho da festa e com o fato de haver tantos desconhecidos no local.
Ele rodou pouco pelo salão de festas, cumprimentando a todos e tentando não parecer tão apreensivo, uma vez que ele achava que seria atacado a qualquer momento. Pensando assim, quase acertou um golpe em Rachel, quando a garota tentou surpreendê-lo com um abraço por trás.
Ele se redimiu rápido com um longo beijo e os dois conseguiram se esquivar dos convidados, indo rápido até o quarto do rapaz, onde a garota foi logo tirando a roupa, fazendo com que ele finalmente se lembrasse da saudade que sentia dela, o que ele mal teve tempo de pensar nos meses de treino, mas no momento em que ela puxou um frasquinho contendo cocaína, ele paralisou ao ver o pó sendo colocado sobre uma mesinha próxima.
“Se você encostar nessa merda eu frito seu cérebro!!!” O grito mental veio sem aviso, sobressaltando o rapaz e fazendo com que ele quase chutasse o rosto da garota, enquanto a mesma estava abaixada se drogando.
- Mas que merda você tá fazendo?!!!
“Manda essa piranha embora! Precisamos conversar!”[i] a voz ecoou novamente e, sendo impossível resistir às ordens da mesma, Rachel foi mandada embora deixando bem claro que era a última vez que o rapaz a via [i]“Cê num tá perdendo nada cara! Estamos melhor sem essa vagabunda...” O rapaz olha para o armário onde havia guardado a mochila com seu uniforme e o escudo “Pode me chamar de Bucky... E então... Vamos sair prá agitar ou não?”
Era o incentivo de que o rapaz precisava. Logo ele estava vestido com seu uniforme, levando o escudo preso às costas e andando rapidamente com a moto que seus pais haviam lhe dado no último aniversário.
A cidade de Nova York nunca dorme, isso é uma grande verdade que o rapaz comprovou in loco, pois ele rodou até a madrugada, num horário em que poucas pessoas deviam estar nas ruas, finalmente encontrando um grupo de homens que arrastavam uma garota para um beco escuro. Sem pensar duas vezes, ainda seguindo as instruções da voz, ele foi até a ponta do beco e mandou os bandidos soltarem-na.
Claro que eles ignoraram a ordem e partiram para cima de quem os havia atrapalhado, pretendendo arrancar a cabeça do rapaz.
O primeiro atacante foi derrubado com um soco bem aplicado no queixo, deixando-o caído no chão totalmente sem sentidos, mas a surpresa dos demais bandidos durou poucos minutos e logo todos voltaram ao ataque.
Dois deles avançaram como touros, um foi ao chão com um chute no peito, caindo no chão e tentando voltar a respirar, enquanto o outro conseguiu desferir dois socos, os quais acertaram apenas o ar, pois o rapaz, agora se sentindo um verdadeiro herói, se esquivou, ficando atrás de seu oponente e aplicando-lhe um golpe na base do pescoço que fez o mesmo desmaiar.
Apenas faltava um último bandido que puxou uma arma disparando vários tiros, os quais foram todos devidamente defendidos pelo escudo que o herói havia tirado de suas costas e, antes que novos disparos pudessem ser feitos, ele o lançou, acertando e quebrando o pulso do atirador, que caiu no chão, facilitando assim para que fosse derrubado por outro golpe.
O herói foi embora pouco antes da polícia chegar e, enquanto voltava para sua casa, ainda cheio da adrenalina do combate e torcendo para que seus pais não tivessem dado pela sua falta, ele percebeu um prédio em chamas. Sem pensar duas vezes, correu para lá onde pôde ajudar de várias maneiras.
Ora ele ficava ao lado dos bombeiros, tirando destroços do caminho, ajudando a controlar as mangueiras, cuja pressão poderia derrubar um homem descuidado, ora ele mesmo entrava no meio do inferno para resgatar as pessoas.
Uma criança que ele salvou perguntou seu nome e imediatamente o programa, que parecia ter um tipo de personalidade própria, gritou na mente do herói “General Glória!!!” “Argh! Terrível... Cala a boca!” e então ele respondeu:
- Sou o Capitão América. – Nesse momento Pecado percebe que algo está errado, pois o herói parece olhar fixamente para ela. – E é melhor você sair da minha mente, garota... AGORA!!!!
O refluxo de energia mental, que arranca violentamente a vilã da mente de Steve, foi o suficiente para fazer a mesma cair sem sentidos, antes mesmo dela gritar, não chamando assim a atenção dos guardas.
Desse modo ele pode aproveitar para usar sua força, puxando a corrente que prende seu pulso direito, tentando fazer isso o mais silencioso o quanto é possível. Ele tenta enrolar um pouco mais, conseguindo segurá-la em sua mão, força mais um pouco, até que vê um dos elos começar a se romper e, agonizantes instantes depois, com mais uma boa forçada, ele consegue se livrar.
Minutos se passam e, como ninguém aparece, ele repete a operação até que finalmente se encontra livre para, em seguida, se abaixar e tocar de leve no pescoço de Pecado, conferindo seus sinais vitais.
Assim que confirma que ela está viva, se dirige à porta, abrindo-a, sentindo que sua sorte se mantém, uma vez que os assustados guardas nem ousam olhar para trás, ainda com medo da ameaça que haviam sofrido e mal percebem quando as mãos do herói puxam-nos para dentro da cela.
- Chegou a hora de acabar com essa festa, não é Bucky? – Mantendo um dos guardas acordado para guiá-lo pela base terrorista, o herói tenta se comunicar com o programa alojado em sua mente, mas não obtém resposta nenhuma. – Bucky?
Conclui a seguir
No próximo capítulo de Supremacia Marvel – Vingadores:
As batalhas entre o Capitão América e os vilões. Mais detalhes sobre a origem do herói, o destino final da cidade e o surgimento de novos personagens que serão muito importantes para a Supremacia Marvel – Vingadores. Tudo isso daqui a quinze dias! Aguardem!

