Num passado distante, enquanto Thor comemora uma vitória obtida contra antigos inimigos, Loki chacina várias crianças da Terra para que assim pudesse ver o futuro.
Quando descoberto por seu pai, sua mãe, seu irmão e diversos outros deuses, o traiçoeiro reage como se a loucura tivesse tomado sua mente, mas ainda assim Odin bane seu filho adotivo para a Terra, condenando o mesmo a uma existência em desgraça eterna.
Nos dias de hoje conhecemos dois estudantes da Universidade de Humboldt, Donald Blake e Jane Foster, que discutem por causa da nova religião que está surgindo, a da Igreja do Toque Real, cujo criador, o homem conhecido como Jacob, promete a seus fiéis que eles alcançarão seus mais loucos sonhos, se entregarem suas almas ao pouco definido deus do dinheiro.
Durante uma reunião com um tesoureiro, Jacob tem sua atenção voltada para o lado de fora de seu escritório e, depois de ficar a sós, contempla a estranha névoa que cobre a cidade de Berlim.
À noite o casal que havia brigado, Jane adora os antigos deuses nórdicos e ficara extremamente chateada com alguns comentários do namorado, sai de um restaurante onde, depois de um jantar de reconciliação, ambos percebem que a temperatura caiu de forma extrema.
Antes que eles pudessem pensar em algo mais, os dois são atacados por um monstro gigante, recoberto de gelo.
Os dois fogem e percebem que não são os únicos sendo atacados, vendo vários outros monstros pela cidade e quando são finalmente alcançados e prestes a ser mortos, eis que as orações que Jane lança a seu deus trazem resultados.
Um raio desce dos céus, que se transformaram numa tempestade de uma hora para outra, acertando e matando o gigante de gelo e, em seguida, a garota contempla a chegada do deus que ela adora.
- Chamaste pelo meu nome mortal... E Thor atendeu a vosso apelo.
E agora a história continua

Adoração. Parte 2.
Por João Norberto da Silva.
As gotas de chuva forçam Jane Foster a piscar continuamente, mas mesmo assim ela se recusa a desviar o rosto, sem acreditar totalmente no que está acontecendo.
Alguns metros acima dela está um homem que diz ser o deus que ela resolveu adorar desde a adolescência, o deus nórdico do trovão, o filho de Odin, o trovejante.
- Perdoe interromper vossos devaneios jovem donzela. - Para o contínuo espanto da garota ele volta a falar e ela começa a prestar atenção aos demais sons que chegam até ela, sendo mais preciso os gritos de terror das pessoas que continuam a ser atacadas pelos monstros. - Outros filhos de Midgard precisam ser resgatados das mãos dos vis gigantes de gelo. Aguardai pelo meu retorno, pois tenho que trocar uma ou outra palavra contigo.
Conforme Thor se afasta, Jane termina por desmaiar sobre o seu já desacordado namorado.
“- <Você está brincando né Jane?>[1]
Foi a pergunta que ela mais ouviu quando disse o que estava fazendo.
Há poucos dias Jane Foster finalmente terminara a extensa pesquisa sobre deuses nórdicos, após uma aula particularmente interessante que tivera, e então arranjara coragem para contar à família, basicamente católica praticante, a decisão que tinha tomado.
A de adorar Thor, o deus nórdico do trovão.
- <Mamãe diz que é pecado... - Dizia uma de suas duas irmãs.>
- <É paganismo isso sim!! - A outra reforçava.>
- <Thor foi um deus que caminhou entre os homens... Existem feitos seus registrados em vários livros, mas poucos são os que acreditam, principalmente por causa do modo como o cristianismo surgiu... Vocês sabiam que muitas das imagens usadas na igreja católica, hoje em dia, foram “tomadas” de outras religiões “pagãs”? Olhem isso, por exemplo...>
Ela mostrava então uma gravura do deus grego dos rebanhos e dos pastores conhecido como Pan, indicando todas as semelhanças com as imagens do diabo cristão, entre outras ligações que, para Jane, mostravam claramente a verdade em suas palavras.
- <Ainda assim.> - A irmã mais velha fazia o sinal da cruz. - <Papai e mamãe vão te matar quando souberem dessa sua idéia...>
Jane alisava o pequeno martelo dourado que ela havia mandando fazer e que agora ornamentava seu pescoço, preso a uma correntinha dourada, um símbolo de sua devoção ao deus do trovão, aquele com o qual ela mais se identificou.
Dias depois ela se encontrava deitava, nos braços um livro extremamente velho, presente da senhora Nadja uma adepta da religião Wicca que simpatizara e passou a admirar a coragem de ser diferente de Jane.
O livro fora escrito por um homem chamado Olaf e narrava algumas visitas de Thor ao mundo dos homens, ou Midgard como os deuses chamavam a Terra. Os contos tinham tanta riqueza de detalhes que era fácil crer na veracidade das linhas. Ela havia lido e relido várias vezes o livro, do começo ao fim.
Certo dia, ao voltar para casa, Jane avistou uma grossa coluna de fumaça preta, que subia aos céus tendo como local de origem sua casa. Com o coração palpitando de preocupação, e orando a seu deus pela segurança de sua família, a garota correu como nunca havia corrido, mas quando finalmente chegou, preferiu que nunca tivesse entrado em sua casa naquele dia.
No quintal estavam reunidas sua mãe e as duas irmãs diante de uma fogueira e Jane viu quando a mãe acabava de jogar o livro de Olaf. Ela reconheceu a capa esfarrapada que foi consumida rapidamente pelas chamas.
Com um semblante sério, a mãe passou pela filha e as únicas palavras ditas foram marcadas a ferro e a fogo na mente de Jane:
- <Não contei nada para seu pai e não o farei, mas juro pelo verdadeiro Deus, que se eu descobrir que você ainda está envolvida com essas coisas demoníacas, te mando para o colégio interno das freiras... Talvez assim essas idéias pagãs saiam de seu corpo... Agora suba e tome um banho.>
Jane assim fez e durante os anos seguintes a única forma que pôde seguir sua religião foi às escondidas, o que a enchia de vergonha perante seu deus. O relacionamento com a família se tornara extremamente frio desde então, tanto por parte dela, como de sua mãe e irmãs.
Tanto que ninguém demonstrou surpresa ou sequer tristeza quando Jane, ao completar dezoito anos, antes de mais nada, alugou um apartamento e fora morar sozinha. Na nova casa, que a mãe e irmãs nunca visitaram, a garota podia seguir sua religião com a liberdade que acreditava merecer com direito até a um altar que ela mesma construiu.
Foi quando entrou para a universidade que ela conheceu o único rapaz que não estranhara suas opções religiosas. Donald Blake até a acompanhou em alguns rituais, conquistando rapidamente o coração da garota, o que mostrava o quanto necessitada de carinho ela estava.
Apesar da fé que habitava seu coração, nada a havia preparado para encontrar o objeto de sua devoção daquela maneira, salvando sua vida e andando como havia sido dito nos livros que ela devorara quando mais jovem.”
A chuva começa a cair com mais intensidade, trazendo Jane de volta ao presente e ela, já refeita do susto com a aparição de seu deus, se lembra de pegar seu namorado e levá-lo para um lugar mais protegido.
- <Prá trás de mim crianças...> - Ali perto Franz, um policial, aponta sua arma para um dos gigantes do gelo, pronto para se sacrificar por três garotos que haviam se perdido de seus pais, na confusão que se armou por conta da bizarra invasão dos monstros. - <Não vou deixar nada acontecer a vocês!>
Dito isso ele começa a disparar contra a criatura que os ameaça, o gigante, porém, mal registra o impacto das balas, apenas coçando levemente onde ele é atingido para, em seguida, erguer uma enorme e rústica clava acima da própria cabeça, visando esmagar quem estava causando incômodo tão pequeno atrasando assim seu lanche.
Antes de ele começar a baixar a clava, sua cabeça explode, com os restos cobrindo um carro que está estacionado à direita da criatura e que logo é esmagado quando a mesma tomba, mostrando que fora atingida pela esquerda.
- Peço teu perdão guerreiro... - Franz ergue atônito o olhar na direção de onde vem a voz e, junto com as crianças, se surpreendo com o homem enorme que sobrevoa a poucos metros de distância deles. - Eu não tenho o hábito de me intrometer na peleja de outrem, mas percebi que vossa arma, seja lá o que for exatamente, não seria o suficiente para proteger os infantes, diante dos quais vós corajosamente ficastes... - As palavras soam com a calma de um guerreiro extremamente experiente, mas a voz de Thor é tão poderosa quanto os trovões que ribombam pela noite em Berlim e o discurso do deus do trovão é interrompido quando outros gritos de terror mostram que ainda existem muitos gigantes à solta. - Conto contigo para levar esses petizes, em segurança, até os braços de vossos pais...
Ele se afasta e tanto Franz quanto as crianças permanecem petrificados pela seqüência de acontecimentos, até que o menor dos meninos se adianta e puxa a manga da camisa do policial, exprimindo em uma única interjeição o que todos estão sentindo.
- <Uau!!!>
Algumas ruas dali, Thor vê que um dos gigantes está parado, apenas observando a chacina realizada por seus irmãos, ao reparar que o mesmo monstro está mais vestido que os demais, com vários ornamentos pelo corpo e com um machado de guerra, não apenas uma clava, o filho de Odin percebe se tratar do líder dos demais.
- Tu, gigante do gelo... És obviamente quem comanda essa horda... Dize teu nome e rende-te... Prometo que vós e vossos pares sereis levados em segurança de volta a Asgard... Deixai Midgard agora e vivam...
- <<Meu... Nome... É Geirrord... E tu... Queres... Nos levar... A Asgard?>> - A voz do gigante é gutural e sai com dificuldade, como se arranhasse sua garganta, formando uma névoa que revela o frio que parece vir de dentro dele. - <<Não... Deveríeis fazer... Promessas... Que não... Podes cumprir... Pequeno deus...>>[2]
- Que sandices estás a dizer? Por acaso ficaste tão insano que ousas duvidar das palavras do filho do todo poderoso Odin?
- <<Odin?>> - Então Geirrord faz algo que surpreende até mesmo Thor: Solta uma longa gargalhada, para só depois de minutos rindo, continuar a falar. - <<Então... Ou és... Um tolo... Ou de fato... Desconheces... Certas verdades... >>- Ao ver que seus comandados se aproximam por trás do deus do trovão, aparentemente afetado por suas palavras, o gigante dá a ordem, que agora é dita toda de uma vez. - <<MATAI O TOLO!!!!!!!!!>>
Assim que as palavras parecem começar a retirar Thor do torpor em que esse se encontra, vários gigantes se lançam sobre o deus, que logo some debaixo de uma verdadeira montanha de golpes desferidos pelos monstros, que fazem até mesmo o chão tremer.
Jane retorna para a rua nesse exato instante, mas seu grito é abafado pelo som que vem do massacre à sua frente.
- <Não!!!>
Longe dali, na sede da Igreja do Toque Real, todos os funcionários que ainda permanecem no prédio, agora saem correndo, seguindo as ordens de evacuação dada pela polícia, que começara a aumentar a área de risco ao redor do combate, visando manter a população a salvo, enquanto era decidido se o exército seria ou não convocado.
August, um dos fiéis que cuida da limpeza, para de repente, ao passar diante do escritório de Jacob. O faxineiro nota, através da fresta das portas entreabertas, que o líder da igreja permanece parado diante das janelas.
- <Senhor Jacob!!!> - August adentra o escritório causando um grande estardalhaço. - <Precisamos evacuar o prédio!!! Parece que a luta está se aproximando daqui e...>
- Se está tão assustado e com tanta pressa, corra até a janela mais distante desse escritório e se jogue de lá... - O faxineiro, sem dizer uma só palavra, fecha as portas atrás de si e corre para realizar o que lhe fora ordenado. - Macacos... Tanto tempo de evolução e continuam a ignorar as mais básicas regras da boa educação... Agora continuemos a observar a batalha e... Hum... Meu irmão não costuma sofrer tanto ao enfrentar tais inimigos... Pelo visto Geirrord não cumpriu nosso trato e deve ter falado mais do que lhe concede...
Jacob então se afasta da janela, indo na direção de um belo armário com detalhes dourados que ele mantém no lado esquerdo de seu escritório, abre as portas do móvel e observa longamente uma fileira de esferas, todas aparentando ser de vidro, em cujo interior tremula uma chama colorida.
Ele se demora até finalmente encontrar a que procura, pega-a com extremo zelo, mas logo a joga contra o chão, partindo-a em vários pedaços e, desse modo, a chama que ardia lá dentro se expande, formando algo que lembra uma silhueta humana.
- Sim... Para a realização máxima de meus planos, nada melhor do que uma batalha épica e uma donzela a ser salva...
De volta para o local onde os gigantes continuam a atacar o deus do trovão, Jane Foster toma uma drástica decisão.
- <Larguem ele...> - A princípio ela apenas sussurra para si, tentando se espelhar na coragem de seu deus, coragem sobre a qual ela tanto leu e, quando ela agarra um pedaço de madeira de uma pilha de destroços, ela já corre em direção de Geirrord gritando a plenos pulmões. - <LARGUEM MEU DEUS!!!!!!!!!!!!!!!!!!>
O gigante do gelo que continua a apreciar o espetáculo que seus comandados realizam, mas percebe a presença da mortal que tenta ferir um de seus pés, só quando ele ouve uma vozinha chegar finalmente chegar a seus ouvidos é que o monstro estica a cabeça na direção de Jane, que continua a atacá-lo.
- <<O que... Temos... Aqui?>> - Geirrord leva sua mão sobre a garota e a agarra o mais gentil possível para uma criatura de seu tamanho, levando-a até a altura de seu próprio rosto. - <<Hum... Comida?>> - Ele então abre sua bocarra e começa a levar Jane mais para perto, fazendo com que a mesma agarrasse o pingente que ela mantém em seu pescoço, orando novamente por auxílio. - <<Heim?>>
Os céus ficam com nuvens ainda mais carregadas, o som dos trovões se eleva, a chuva começa a engrossar tanto que pequenas pedras de granizo começam a cair, os ventos uivam ainda mais e então vários raios caem do céu se dirigindo impossivelmente para o mesmo lugar.
Sobre a pilha de gigantes do gelo que atacam o deus do trovão.
Geirrord pára com o que está fazendo e lentamente afasta Jane de sua boca, tentando ver através da espessa coluna de fumaça que começa a se erguer do local de impacto dos raios e, aos poucos, Ele consegue divisar uma figura humana que vem se aproximando vagarosamente do líder dos gigantes.
- Fizeste pouco da generosa oferta do deus do trovão, Geirrord... - É Thor quem sai andando da agora visível cratera, onde seus raios fulminaram todos os demais gigantes do gelo e, mesmo aparentando estar ferido, o deus asgardiano não perde a altivez. - Agora se não quiserdes que minha vingança seja ainda pior, coloca a mortal lentamente no chão... Se tocar com mais violência num fio de cabelo dela arcará com as terríveis conseqüências...
Ao dizer isso o trovejante ergue seu martelo na direção do monstro e alguns tensos minutos passam, até que Geirrord faz como lhe foi ordenado e deposita Jane Foster em segurança no chão.
Assim que Thor começa a baixar sua arma, o gigante avança com uma velocidade absurda e até sobrenatural para uma criatura de com seu tamanho e ele desfere um poderoso golpe com seu machado, causando um efeito parecido com o de uma pequena explosão, forçando Jane a desviar o olhar.
Quando a garota se volta novamente para o combate, seus olhos se arregalam com a cena diante de si.
Geirrord está paralisado, as duas mãos ainda abaixadas diante de seu próprio corpo, segurando apenas o que restou de seu machado, cuja ponta jaz a alguns metros dali. Thor permanece com Mjolnir abaixado, mas sua mão livre está estendida acima do corpo, com o punho fechado.
- <<Q-que... Quebraste... Minha arma... Com... Com apenas... Vosso punho?>>
- Se tal ato vos decepcionou, não sejais por isso...
Agora o trovejante gira seu martelo e desfere um golpe certeiro, atingindo Geirrord embaixo de seu queixo, fazendo a cabeça do monstro explodir, espalhando assim os restos da mesma por toda a rua.
- <Meu Deus...> - Donald Blake se aproxima de sua namorada, finalmente se recuperando do golpe que levara.
- <Não meu querido... Esse foi o MEU deus...>
Aos poucos a chuva começa a se dissipar até que o céu volta a ficar estrelado e então os sobreviventes começam a se aproximar daquele que os salvou. Thor permanece parado, com um dos pés sobre o que restou de Geirrord, olhando para o céu com um semblante extremamente sério, como se procurasse algo.
- <Meu senhor...> - Jane é a única que reúne coragem para falar com o deus do trovão. - <Não temos como agradecer por vossa proteção...>
- Agradecimentos são desnecessários, bela dama... - Agora o asgardiano volta o olhar na direção da pequena multidão que se forma ao seu redor e é possível ver, mesmo por sob sua espessa barba, um sorriso sereno. - Nada mais fiz do que jurei fazer... Proteger Midgard e vosso povo... Agora é o momento de velarem por vossos mortos, cuidar de vossos feridos e reconstruir o que se perdeu durante a peleja... - Ele ergue mais a voz, fazendo alguns dos presentes inconscientemente se encolherem, mas acalentando um tanto ainda maior dos mesmos. - Voltarei e ajudarei na lida que se iniciará, antes, porém se faz necessário que eu vá ter com meus patrícios e os alerte dos movimentos de nossos antigos inimigos. - Thor leva a mão até Jane e, sem que ela acredite em sua proximidade, ele toma nas mãos o pequeno pingente em forma de martelo fazendo-o brilhar. - Se precisares de minha presença apenas toque nesse pingente, que torno agora um ícone ligado a minh'alma e eu a encontrarei em qualquer parte desse e dos demais sete mundos. - Em seguida Thor segura com força numa correia, que está presa ao cabo de seu martelo, e começa a girá-lo tão rápido que mal se pode ver a arma. - Até breve mortais!
Dito isso ele se lança para o ar e em poucos instantes desaparece como se nunca tivesse estado lá. Os presentes começam a olhar em volta e um vento gélido passa por todos, deixando-os sobressaltados, pois antes do ataque tal queda na temperatura também fora sentida, mas para espanto, e também alívio de todos, os restos dos gigantes mortos começam a se desfazer, sendo levados pelo ar e rodopiando em pequenas espirais até sumirem por completo.
- <Mas o que diabos aconteceu aqui?> - Depois de vários minutos de silêncio, alguém na multidão faz a pergunta que está nas mentes de todos.
- <Eu vou lhes contar!> - Jane Foster se ergue sobre todos os demais, transbordando de alegria e energia por ter tido suas preces atendidas com a presença daquele a que ela dedicou sua devoção nos últimos anos. - <Vocês todos já devem ter ouvido falar de Thor, o deus do trovão...>
Longe dali, num local que lembra as famosas masmorras medievais dos filmes de Hollywood, na verdade um dos cenários usados na produção do dvd pornográfico feito por Jacob, da Igreja do Toque Real, uma bela mulher começa a despertar. Ela mal percebe que está nua e se senta no que parece ser um altar antigo. Sua beleza deixaria o mais capaz dos poetas sem palavras, sua pele clara e macia instigaria o mais casto dos homens a tocá-la, seus sedosos cabelos caem sobre os ombros em cachos que hipnotizariam os mais incautos, deixando-os loucos de desejos, os olhos são duas esmeraldas, cujo brilho esverdeado ofuscaria a beleza dessas pedras preciosas e quando ela finalmente fala, sua voz melodiosa soa como um coro de anjos.
- O-onde... Onde estou...
- Ah... Amora... Continuas tão doce quanto teu formoso nome...
- Quem? Quem és tu? Onde estou? E como sabes meu nome? Responde mortal!
- Sou conhecido como Jacob minha bela e encantadora deusa... - A proximidade do homem, aparentemente mortal, faz a bela mulher se sobressaltar e se levantar mostrando ser um pouco mais alta que ele. - Nada tema, minha encantadora... Não tem nada que o velho Jacob possa faz...
- Falas de modo extravagante e por enigmas... Responda agora o que pergunto de maneira clara, senão... - Apesar da ameaça o pequeno homem apenas se aproxima e toca a deusa em seu ombro desnudo, fazendo-a desmaiar no mesmo instante. - Oooohhhhhh.
Ele a toma nos braços e depois de ser envolvido numa nuvem esverdeada, mostra a sua verdadeira face.
- Vosso corpo não foi feito para ser tocado pelas imundas mãos mortais que uso em meu disfarce, doce encantadora... - É Loki, o deus das trapaças que ergue a deusa e volta a depositá-la no altar de pedra. - Serás uma peça importante em meus planos... Antes, porém, carece de ser “preparada”, para que seu encontro com o néscio de meu irmão frutifique do modo como desejo...
Dito isso ele veste uma luva metálica com pequenas lâminas nas pontas dos dedos e, em seguida, começa a se despir.
Dias depois Jane Foster e Don Blake estão no apartamento dela, tentando organizar a mudança que o incidente com os gigantes do gelo e Thor acarretaram em suas vidas.
- <Então o governo continua a negar?>
- <Totalmente querida... Não dá prá culpá-los, afinal eu estive lá e ainda é difícil prá eu engolir tudo isso...>
- <Por favor, Don... Não me faça acertar você... Nós estávamos lá... Vimos ele e tudo...>
- <Sim... Sim... Calma minha querida... Pelo menos temos várias pessoas que estiveram presentes e viram o que aconteceu...>
- <É mesmo...> - A garota fica mais calma e começa a mexer em alguns papéis sobre a mesinha da sala. - <Olha quantos endereços... Agora precisamos nos organizar... Ver todos os documentos necessários para tornar oficial a igreja de Thor... Que tal esse nome? Eu... Huuummmm> – O namorado a toma em um longo beijo percebendo que a mesma começa a ficar novamente exaltada. - <Ufa... Valeu... Acho melhor começarmos a pensar em que local poderíamos nos encontrar...>
- <Quem sabe em Nova York?>
- <Heim? Nos Estados Unidos? Tá maluco Don?>
- <Não! F-foi só uma idéia minha querida... Eu...> - Como se em socorro do aturdido Don, seu celular começa a tocar. - <Um minuto sim?> - Ele se afasta, indo até a cozinha. - <Pois não...> - “Péssima idéia cara...” Don sabe imediatamente quem é o dono da voz que fala em inglês com ele. - <Fury...> - “Exatamente... Já te passei a data em que vocês têm que estar aqui, mas não força tanto a barra certo?” - <C-como o senhor...> - “Acorda Blake... Eu sei de tudo... Agora volta prá sala e se prepara para uma visita... Agüenta o tranco e você saberá quando trazê-los certo?” - <Certo, eu...>
Mas o agente da S.H.I.E.L.D já desligara antes mesmo do rapaz terminar sua frase, e então ele ouve pesadas batidas na porta, seguindo de perto sua namorada, que se levanta e vai atender. Ambos ficam paralisados com quem aparece diante deles.
- Boa noite bela dama, jovem rapaz... - Ninguém menos que Thor está ali, segurando com suas duas mãos o cabo de Mjolnir, respeitosamente abaixado diante do corpo. - Em Asgard é costume se ofertar, ao menos, um pedaço de pão a um visitante...
- <Meu lorde!!!!> - Jane se afasta curvando exageradamente o corpo, dando espaço para que o trovejante entrasse em seu apartamento. - <Perdoe vossa serva... E-eu... Não imaginei que viria à minha humilde morada... S-se eu imaginasse teria limpado melhor e...>
- Desnecessária tamanha preocupação bela dama... Jamais fui afeito aos constantes luxos que minha posição como filho do todo poderoso Odin me traziam... Não será dessa feita que irei mudar meu jeito...
- <Hã... O que o trazes aqui então?>
- <Don?!>
- Acalma-te bela dama... A pergunta de vosso companheiro é justa e pertinente... Tentei retornar a minha pátria, à brilhante Asgard, mas por algum motivo que desconheço não pude... Bifrost parece estar destruída...
- <Bifrost?!!>
- <Don!!! Não leu nada dos livros que eu te emprestei? Bifrost é a ponte do Arco-Íris, a que liga a Terra à cidade dos deuses, Asgard!!>
- Tuas palavras vibram com a verdade bela dama... Mas dessa feita não consegui me aproximar da cidade dourada, pois Bifrost se encontra partida e, sem sequer poder imaginar o que foi feito de meu pai, minha amada mãe e meus patrícios, segui a energia que impus sobre seu pingente e encontrei vossa morada... Até mesmo eu preciso de repouso depois da batalha contra os gigantes de gelo e da subseqüente busca que efetuei nos últimos dias...
- <Hã... Se quiser pode ficar em minha casa meu senhor... Tudo o que precisares eu farei...>
- Se não for incômodo eu aceitaria com o coração cheio de gratidão, pois andei por esse mundo e em nada ele se parece com a última vez em que coloquei os olhos em Midgard...
- <Ah! Essa eu sei!!! É como os deuses chamam a Terra né?> - O olhar de Jane é o suficiente para que Don saiba que é hora de se calar.
- Como eu dizia... Muito mudou por essas paragens e me surpreendi com obras mortais que equivaleriam com as da cidade dourada... Assim como essa imensa torre em que nos encontramos... Como vós a chamais?
- <Prédio meu senhor... Imagino que realmente muita coisa mudou desde a era dos Vikings... Podemos lhe contar tudo o que quiseres saber...>
A conversa dura horas e horas e quando o sono dos mortais começa a vencer a curiosidade do deus asgardiano, com mais bocejos do que informações, todos se preparam para dormir, mas são surpreendidos com novas batidas na porta.
- <Podem deixar comigo...> - Com mais um bocejo Don vai até a porta e a abre. - <Ei!!>
O grito do rapaz faz com que tanto Thor quanto Jane corram até a porta e eles chegam a tempo de ver uma belíssima mulher nua e caída nos braços de Don.
- <Eu posso explicar Jane... Quer dizer não posso, mas posso... Eu...>
- Com vossa licença mortal, mas eu reconheço a bela que estas a amparar... - Thor toma a mulher dos braços do aturdido rapaz e a deita no sofá onde há pouco ele mesmo estava sentando. - Despertai bela Amora... É Thor que clama para que abras os olhos...
Donald Blake e Jane Foster, após fechar a porta se aproximam dos dois deuses, a garota explicando a seu namorado quem é Amora, a deusa da fertilidade e da sexualidade.
- Quem fizeste isso a vós... - Agora todos reparam em vários ferimentos, espalhados pelo corpo perfeito da deusa. - Dize o nome e eu o esmagarei com todas as minhas forças...
- E-eu... - Amora mal consegue falar, mas ergue com dificuldade uma de suas mãos e aponta na direção da janela.
- <É melhor vocês virem aqui...> - Donald Blake é o primeiro a chegar à janela e olha aterrorizado pela mesma.
Thor e Jane deixam Amora no sofá e acompanham o olhar atônito do outro, todos vendo o que parece um enorme portal que se abre sobre o céu noturno de Berlim. É possível perceber que, pouco a pouco, uma enorme sombra parece começar a atravessar o portal.
- <Mas o que é aquilo???!!!>
- Aquilo meu jovem... - Thor fala já empunhando Mjolnir e afastando os dois, tencionando sair pela janela. Já que não pode perder nenhum minuto da batalha que se avizinha, ao mesmo tempo em que o que está atravessando o portal fica mais e mais visível. - Aquilo é um dos sinais do Ragnarok... Um dos filhos de meu meio-irmão Loki...
- <Essa não...> - Jane Foster, entendendo o que Thor diz, leva imediatamente a mão ao seu pingente.
- Sim bela dama... Aquele que atravessa o portal não é outro senão Jormungand...
Conclui a seguir.
[1] Traduzido do Alemão.
[2] Traduzido da língua dos gigantes, seja lá qual for...
