
LAUFEYSON
Capítulo 02 - A morte
Por Alex Nery
Manoel ergue o machado e desfere mais um forte golpe na madeira. Mais alguns golpes e a árvore estaria derrubada.
Ele passa a costa da mão pela testa, afastando o suor que cai. O dia parece anormalmente quente. A poeira no ar era quase sufocante, mas ele não podia adiar mais a limpeza do terreno. Sua esposa Madalena já não parava de falar nisso, dizendo que o local estava muito sujo para que o pequeno Vaniel brincasse. E, verdade seja dita, ela tinha razão. O mato já chegava aos joelhos e a velha goiabeira não dava mais frutos como antes, apenas contribuindo como esconderijo para bichos e insetos.
A árvore rangeu dolorosamente e tombou para trás antes do que Manoel previra. Cansado, ele apanhou o tronco da árvore a arrastou até o fundo do pequeno sítio.
Morar na área rural da Cidade do México tinha suas vantagens, como pouca poluição, áreas grandes e baratas e menos violência urbana. Porém, também tinha contratempos como a falta de infraestrutura. Mas Manoel sempre achou que tinham feito a escolha certa ao comprar este sítio, afinal a pensão que recebia do governo pelos poucos anos de serviço militar não daria para muito mais do que isso. A outra opção seria comprar uma casa apertada num dos bairros operários, e ele sempre gostou do ar livre. Então, optou pelo sítio e pela criação de treze vacas leiteiras.
Se ao menos não tivesse sido atingido por aquela bala, as coisas poderiam ter sido diferentes. Ele ainda poderia andar normalmente e teria prosseguido na carreira militar. Mas quem diria que aqueles manifestantes sem-terra estariam tão enlouquecidos a ponto de abrir fogo contra o exército? Era uma questão de azar, como ele sempre dizia aos amigos.
Não que ele se considerasse azarado. Muito pelo contrário. Casara com Madalena há três anos, quando ela engravidara. Não foi algo planejado, mas ele a amava e isso bastava. O pequeno Vaniel tinha sido um presente de Deus. Tão parecido com a mãe, mas mantendo os mesmos olhos do pai, ele era a alegria do casal.
Manoel deposita o tronco nos fundos do terreno e começa a planejar como cortá-lo em pedaços menores para então queimá-lo.
É quando ele se dá conta de que está sendo observado.
Um lobo de pêlo vermelho o observa a menos de três metros. É um animal forte, de olhar profundo, pesando em torno de 50 quilos. Suas orelhas estão de pé, em alerta, e ele observa Manoel diretamente.
Manoel fica estático. Ele sabe que dificilmente esse tipo de animal se aproxima tanto das áreas povoadas, mas a destruição do habitat natural deles forçava cada vez mais que os lobos viessem em busca de alimento nas áreas agrícolas. De qualquer maneira, era um animal selvagem e não se podia relaxar com eles.
As narinas do animal se dilatam repetidamente, como se buscasse captar algo mais no ar. Lentamente ele começa a caminhar em torno de Manoel, porém sem desviar o olhar. O homem fica assustado com o comportamento do animal e, pelo canto do olho, busca o local onde deixara o machado. É inútil. Está muito distante.
O lobo completa um círculo em volta do homem e então pára. Ele rosna, exibindo sua perfeita dentição. Manoel sente todos os pêlos de seu corpo se eriçarem, antecipando o ataque da fera.
Subitamente, a porta dos fundos se abre e Madalena atravessa o vão trazendo Vaniel no colo. Manoel grita para a esposa:
- Volte! Volte!
Ela entende de imediato a estranha situação e pára aterrorizada, segurando com força a criança contra o peito. O lobo ergue sua cabeça e observa a mulher, rosnando fortemente.
- Meu De...- murmura Madalena.
O animal late agressivamente para todos, parecendo indeciso sobre o que fazer. Num movimento brusco ele corre de volta para a mata, desaparecendo em instantes.
Manoel relaxa o corpo e se põe de pé. Madalena se aproxima rapidamente.
- Amor, você está bem? - pergunta a esposa aflita.
- Sim, não se preocupe- responde ele.
- Eu não disse que o terreno estava muito sujo? Olha só, o mato atraiu um lobo!
- É, pode ser... mas é estranho. Eles nunca atacam assim.
- Acho que ele estava com fome.
- É, vai ver era fome mesmo... E aí, filhão? – Manoel apanha Vaniel do colo da mãe e encara o filho- Meu filhão nem chorou, né? Corajoso como o pai.
- É, com certeza- diz Madalena sorrindo aliviada.
Por sobre os ombros do filho, Manoel observa a mata por onde o lobo fugira e, por alguns instantes, percebe algo se distanciando no matagal.
SÃO FRANCISCO, EUA
06:00 p.m.
Grace caminha com passos rápidos. São apenas cinco quadras entre sua casa e a casa de Meredith, porém é um percurso que ela detesta fazer, pois no meio dele está a casa de Albert.
Ela já estava acostumada a ser olhada de maneira estanha pelas pessoas. Mesmo antes de assumir um visual gótico, tornara-se uma espécie de atração na vizinhança. Roupas pretas, geralmente uma calça apertada e uma blusa com fios e laços, juntamente com uma maquiagem pesada que ressaltava seus olhos azuis e contrastava com sua pele excessivamente branca e seus cabelos ruivos, compunham um visual chamativo. Não que ela se importasse com a opinião da “caipirada”, mas Albert a irritava especialmente. Ele, que sempre mantinha aquele sorriso largo, caçoava dela todos os dias. O que mais a magoava era que ele havia sido uma das poucas pessoas que a recebera bem no bairro quando ela chegara dois anos atrás, após a morte de sua mãe e adoção pelos Berger. Porém, influenciado pelos outros moradores da rua, logo ele estava junto com aqueles que consideravam Grace uma estranha, uma deslocada.
Grace não entendia como São Francisco podia ser considerada a capital norte-americana da tolerância. Não era raro encontrar bilhetes maldosos na caixa de correio, chamando-a de “esquisita”, “ridícula”, “bruxa de periferia”, “nerd” e outros termos piores. Era realmente difícil para ela se enquadrar ali, quando nenhum daqueles moleques e meninas tinha sequer lido dez livros na vida. As vezes ela duvidava até mesmo que soubessem ler. Eram em sua maioria cabeças-ocas, preocupados com a moda e com sexo, não necessariamente nessa ordem, que a hostilizavam por ela conseguir discutir razoavelmente qualquer assunto e sempre ter sua própria opinião, independente do que qualquer um dissesse.
Usar o estilo gótico lhe pareceu uma boa alternativa para exteriorizar o que lhe vinha à mente: ela não pertencia àquele lugar.
- Ei, esquisita. O Halloween tá longe ainda... – a voz tirou Grace de seus pensamentos e imediatamente ela reconheceu seu dono.
- Morra, Albert – respondeu ela sem deter o passo.
- Uhhh... que medo! Hahahhahaha...- Albert correu e emparelhou ao seu lado – Não tá com calor não?
- Foda-se, idiota.
- Foda-se você, sua vaca – Albert desistiu de acompanhá-la e fez um gesto obsceno.
Grace ficou ainda mais de mau humor. Após alguns minutos ela atravessou o portão branco da casa de Meredith.
Meredith era sua única amiga. E isso por pura concessão de Grace.
Meredith começou a segui-la no colégio, pois admirava seu jeito decidido de lidar com todos. Onde Grace estava, lá surgia Meredith, como uma discípula. No início, isso incomodou Grace, porém Meredith foi mais insistente e conseguiu “cavar” uma brecha na armadura da menina. Então Grace decidiu mantê-la por perto. A diferença de idade entre elas era de apenas um ano. Grace já tinha feito dezesseis enquanto ainda faltavam dez meses para o aniversário de Meredith.
A menina gótica tocou a campainha e foi logo recebida pela amiga.
- Pensei que não vinha mais! – protestou Meredith.
- Eu faço meu horário, M.
- Tá, ta... entra logo.
As duas sobem as escadas até o quarto de Meredith. Grace joga sua mochila num canto e senta-se na cama, enquanto sua amiga senta-se numa cadeira próxima à mesa de estudos do quarto.
- E aí? Tem algo pra mim?- pergunta Grace apontando casualmente para o notebook na mesa.
- Tenho. Fiz umas pesquisas.Olha aqui – Grace liga o aparelho e acessa a internet, abrindo uma página onde podem ser vistos alguns símbolos sobre um fundo negro.
Grace se levanta e observa com mal disfarçada curiosidade.
- O que é isso? – pergunta Grace.
- Parecem com os símbolos que você desenhou, não parecem?
- Hm, talvez.
- Ah, que isso? São idênticos, olha! – Meredith apanha uma folha de papel da primeira gaveta da mesa, onde podem ser vistos alguns símbolos rabiscados e exibe-a para Grace.
- Não preciso ver isso. Fui eu quem desenhou, lembra?
- Sim, pois é... Desenhou depois dos pesadelos.
- Eu não devia ter te contado isso...
- Por que não? Olha, eu não te disse que já tinha visto algo parecido por ai?
- E o que são esses negócios? “Runas”?
- É, parece que são runas...
- “... alfabeto nórdico antigo...”- Grace lê o conteúdo do site, ignorando a voz da amiga.
- É, eu li e...
Com um gesto Grace pede que Meredith fique em silêncio enquanto ela lê o restante do texto.
- “As Runas Nórdicas são mais antigas que o alfabeto Hebraico”... interessante- Grace apanha o papel das mãos de Meredith e procura pelos significado dos símbolos.
- O que você desenhou parece a runa...- insiste Meredith.
- A runa “Fa”, que está ligada ao despertar da consciência... – completa Grace olhando as imagens.
- E o que você acha disso?
Grace pensa por alguns instantes antes de responder.
- Acho que é uma besteirada sem tamanho.
- É? Mas foi você que disse que não conseguia tirar isso da cabeça...
- Muita coisa passa pela minha cabeça. E nem tudo presta. Vamos esquecer essa merda.
- Ok, você quem sabe.
Grace apanha sua mochila e retira um livro dela. Sem olhar, estende o livro para Meredith.
- Tá aqui, pega. O livro que você queria.
- Você lembrou? Milagre! Já tava desistindo de ler sobre essas bruxas antigas - diz Meredith apanhando o livro.
Grace não pode deixar de pensar nas vezes em que Meredith pedira aquele livro e que ela, não querendo emprestar, se desculpara dizendo que esquecera em casa.
- É, taí. Aproveita - disse Grace.
- Fica no notebook. Vou ler isso aqui agora mesmo!
Assim haviam estabelecido um acordo implícito. Meredith emprestava o notebook e o acesso à internet, enquanto Grace lhe fornecia livros. Os pais adotivos de Grace se recusavam a ter internet em casa, o que causava muitos conflitos com a filha, já os pais de Meredith gostavam de lhe dar tudo o que ela pedia, pois achavam que assim ela não se meteria em nada ilegal. A amizade da filha com a menina gótica foi encarada como mais um capricho, algo a ser aceito em troca da paz familiar.
O tempo passa e ambas se distraem com seus afazeres.
- Cadê teus velhos? – perguntou Grace.
- Saíram. Foram comprar um carro novo, algo assim - respondeu Meredith sem tirar os olhos do livro.
De repente a campainha toca. Antes que Meredith se levante, ela toca mais duas vezes e as meninas podem ouvir que alguém está esmurrando a porta.
- Quem será esse doido apressado? – pergunta-se Meredith.
- Sei lá – diz Grace levantando-se também e acompanhando a amiga até a sala.
Meredith olha pelo olho mágico e faz uma careta de interrogação. Ela apanha a chave e abre a porta.
- Seu Berger!
- Pai?
O pai adotivo de Grace entra sem pedir licença, sendo seguido por sua esposa. Ambos possuem uma expressão assustada.
- Grace! Viemos te buscar diz John Berger.
- Buscar? Pra quê? – pergunta Grace.
- Vamos, filha. Depois conversamos - diz Diana Berger, a mãe adotiva de Grace.
- O que ta acontecendo?? – pergunta Meredith
John e Diana apanham a filha e praticamente a retiram à força da casa de Meredith. Grace, sem entender nada, se deixa levar até o carro do casal, que está estacionado em frente ao jardim. Meredith insiste em perguntar o que está acontecendo, mas ninguém lhe dá atenção. Os ventos na rua parecem agitados e fazem com que as folhas caídas das árvores revoem por todo lado. Alguns moradores saem de suas casas para observar o estranho fenômeno.
- Deus! O que é isso? Um tufão?- pergunta Meredith, observando o céu subitamente se acinzentar.
- Entre, rápido – John tenta forçar a filha a entrar no carro, porém Grace resiste.
- Só saio daqui se me explicarem o que está havendo! – protesta a menina.
- Droga, Grace! Obedeça o seu pai! – grita Diana.
Os ventos cessam repentinamente. Um silêncio mortal recai sobre toda a rua, deixando as pessoas atônitas.
- Ela obedecerá, mas não do jeito que pretendem.
A voz masculina e firme é ouvida por todos. Grace e os demais se voltam para o homem alto e bem vestido que caminha calmamente pelo meio da rua.
- Quem é ele? – pergunta Grace mais para si mesma do que para outra pessoa.
- VAMOS!- grita John, forçando a menina mais uma vez.
- Rápido, antes que seja... – grita Diana Berger.
- Já é tarde demais - murmura o estranho.
Com um gesto do recém-chegado, o veículo dos Berger é arremessado violentamente, como se mãos invisíveis o houvessem tocado, até explodir contra uma residência próxima. A onda de choque arremessa todos no chão. Meredith grita assustada, enquanto Grace abaixa-se, buscando proteção.
O casal Berger levanta-se e se posiciona lado a lado, formando uma barreira humana entre o agressor e a menina gótica.
- Você não é bem-vindo aqui, trapaceiro! – diz John.
- Quanta indelicadeza. Chamar-me de trapaceiro quando não sou eu que estou usando disfarces.
- Você não a levará, bastardo- diz Diana Berger rangendo os dentes.
O sorriso desaparece da face do estranho. Seus olhos deixam transparecer uma fúria até então contida. Os ventos sobrenaturais recomeçam com violência.
- Ajoelhem-se agora e eu os perdoarei - diz ele.
- Nunca - responde John.
- Que seja. Mas saibam que a paciência nunca foi o forte de Loki Laufeyson.
Ao ouvir aquele nome, Grace sente com se algo despertasse em sua mente. Algo escondido há mais tempo do que pode lembrar, algo novo mas ao mesmo tempo incrivelmente antigo.
Laufeyson ergue seus braços e, gesticulando, forma uma esfera negra de onde emergem pássaros negros. Os pássaros avançam sobre o casal Berger como aves de rapina, rasgando e dilacerando suas carnes. Ambos gritam, mas não caem.
- É...c-chegada a hora! Sejamos revelados! SEJAMOS REVELADOS! – grita John.
- SE-SEJAMOS REVELADOS! – grita Diana em coro.
Ambos começam a mudar. De suas costas emergem corcundas azuladas que rasgam suas peles róseas. Seus rostos se deformam horrivelmente, enquanto de seus interiores nascem criaturas de aparência rochosa, com garras em lugar de mãos e pés. Eles se põem de pé, e sua altura alcança facilmente os cinco metros.
- Que destino triste para vós, Bergelmer e Skadi. Antes grandes inimigos de Odin e hoje meros carcereiros... – provoca Loki.
Os gigantes de gelo rosnam e encaram o deus nórdico.
- Estou pagando minha pena, filho de Laufey! E é com prazer que levarei tua cabeça para meu velho inimigo! – diz Bergelmer.
- Beberei teu sangue gélido, deus das trapaças! – promete Skadi.
Grace olha para a cena incrédula e sua mente ameaça desmoronar. De repente ela sente um puxão no braço e vê Meredith.
- Corre, Grace! Corre! – grita a menina apavorada.
Ambas se erguem e correm para a varanda da casa de Meredith.
Os gigantes urram e erguem seus monstruosos braços em desafio. Laufeyson permanece de parado, mesmo quando ambos investem contra ele.
Bergelmer apanha um veículo parado e o arremessa contra Laufeyson, numa velocidade inacreditável para uma criatura com o seu tamanho. Loki não consegue se desviar e é atingindo em cheio. Os gigantes saltam sobre o corpo de Laufeyson e o esmurram selvagemente. Seus socos fazem toda a rua tremer. Os poucos humanos que ainda não fugiram do local buscam desesperadamente refúgio em suas casas.
Bergelmer arranca uma árvore da calçada e concentra toda sua força num golpe devastador que esmaga a cabeça do deus renegado.
O urro de vitória do gigante ecoa por todo o bairro, sendo logo substituído por sua gargalhada zombeteira, semelhante ao som do vento dentro de uma caverna gelada.
Porém, a risada logo é substituída pelo assombro, pois em frente aos olhos do gigante, a forma de Loki é substituída pela de sua irmã gigante Skadi, igualmente decapitada .
- O quê??? Como?? SKADIIIII!!!!
- De trapaceiro me chamaste, não foi? – diz Loki, que observara sentado em um telhado enquanto fazia Bergelmer trucidar a própria irmã.
- Maldito sejas, Laufeyson!
- Sim, maldito há muito tempo.
Bergelmer avança alucinado contra o deus, mas seu descuido faz com que tropece numa cerca e caia estrondosamente no jardim de Meredith. Laufeyson se ergue e faz um gesto enérgico em direção ao gigante. Imediatamente os cabos de força da rua se rompem e mergulham como serpentes famintas envolvendo a criatura de gelo. Logo descarregam milhares de volts no ser mitológico, fazendo-o agonizar.
Obedecendo mais um gesto do deus das trapaças, os cabos envolvem o pescoço do gigante e o enforcam até que este cesse todos os movimentos.
Bergelmer, um dos gigantes do gelo, está morto.
Meredith e Grace se levantam de seu esconderijo. Ambas não conseguem parar de tremer.
- Grace, temos que sair daqui antes que ele nos ache... – diz Meredith.
Grace olha a amiga sem compreender nenhuma das palavras. Ela está em choque.
- Sinto decepciona-la, mas já as encontrei – diz Laufeyson, posicionado bem ao lado das garotas.
Meredith grita assustada.
- Acalme-se. Meus assuntos são com Grace.
- Com... a Grace? P-por quê?
- Não é óbvio? Ela é minha filha.
- Sua FILHA?
- Sim. Mas concordo que ela parece mais com a mãe - diz Laufeyson piscando de um olho só – Tenho algo para dar a ela.
O deus nórdico põe a mão no bolso do sobretudo e retira uma runa de pedra, que ergue e exibe em frente à estática Grace.
- Vê, “Grace”? Isto te pertence.
Na runa é visível o símbolo “Fa”. Ele brilha em tons azuis escuros e parece atrair a atenção de Grace. Como um robô, ela ergue o braço e apanha a runa.
Todo o seu corpo é tomado por uma aura negra. Grace é erguida no ar e se move com a graça de uma bailarina.
- Meu Deus, o que é isso?- murmura Meredith.
- Ela agora sabe quem realmente é – responde Laufeyson.
- E quem ela é? – pergunta Meredith.
Grace flutua levemente pela varanda, até que percebe Meredith e seu pai. Ela desce em frente à amiga e segura seu rosto com as mãos negras.
- Seu nome é Hela...- diz Loki.
Meredith começa a chorar de medo.
- ... e ela é a morte – completa o deus nórdico, enquanto “Grace” encara Meredith e exibe um rosto cadavérico, ao mesmo tempo em que abraça a menina, envolvendo-a completamente.
Meredith grita até que sua vida se esvair por completo. Loki observa curioso.
- Hmpf, humanos... quando aprenderão que não podem ser amigos da morte?
Hela larga o corpo sem vida de Meredith e volta-se para seu pai. Subitamente ela se ajoelha subserviente, murmurando:
- Pai.
Continua


