
Universo Nova Frequência
Anderson “Aracnos” Oliveira
Versão definitiva.
Episódio 6. No Caminho da Grimm’s Gang. Parte final.
A noite já havia caído na cidade. Um crossfox amarelo tenta passar pelo difícil trânsito. Ao volante, Sandy Alves procura entre o emaranhado de veículos alguma saída. Ao seu lado, Ângela de Oliveira consulta um GPS. No banco de trás, Paulo dos Anjos fecha os últimos botões da sua nova jaqueta branca e Mônica Muniz enfia uma colher farta de doce de abobora na boca.
— Ok, ok... sem crise. — diz Sandy para ela mesma. — Vamos recapitular. Durante o transporte dos prisioneiros a força tarefa A.L.F.A. foi surpreendida em um ataque. Possivelmente de outros membros da tal Grimm's Gang Brasil.
— Certo. — Ângela continua. — Antes de perdermos o contato a última transmissão veio do capitão Maxwell solicitando nossa intervenção.
— Rá! O machão arregou!! — diz Mônica, com a boca cheia de doce.
— Mônica! Isso é sério. Eles podem estar mortos agora! — Ângela a repreende.
— Tá bom. Desculpa! — Mônica se volta para Paulo e diz em voz baixa: — Mas que foi bem feito, foi!
— Continuando... — diz Ângela fingindo não ter ouvido o último comentário. — Sua última posição detectada foi a sete quilômetros daqui.
— E creio que tem mais de sete quilômetros de carros na nossa frente. — resmunga Sandy se debruçando sobre o volante.
— Ser o único homem em um carro com três lindas garotas me faz parecer um garanhão tipo Zé Mayer ou um gay? — diz Paulo. Ao mesmo tempo as três lindas garotas citadas o encaram com olhares nada agradáveis.
— Querido, é melhor ficar calado. — diz Sandy com o dedo indicador levantado.
— Tá bom... não tá mais aqui quem falou. — Paulo se encolhe no seu canto.
— Esqueçam isso. Temos que resolver esse pequeno problema de deslocamento urbano no horário de pico. — diz Ângela tirando o cinto de segurança e abrindo a porta do carro.
— Ela tá fazendo o que eu acho que ela tá fazendo? — diz Mônica enquanto todos veem a loira subir no teto do veículo.
— Sim. Ela está. — responde Paulo abrindo a porta ao seu lado.
— Peraí! — diz Sandy também descendo. — Ângela, não podemos fazer isso. Tem muita gente aqui. Você nem está de uniforme (Se é que dá pra chamar aquela sua roupa de uniforme)...
— Eu não vou ficar parada aqui. — diz Ângela, com as mãos e um joelho sobre o teto amarelo do carro. Em suas costas, entre as mechas encaracoladas do seu cabelo, pontas metálicas começam a surgir. Pode-se ouvir o tecido de sua blusa rasgando.
— Esqueça Sandy, ela nunca desiste quando tem algo na cabeça. — diz Mônica saído do carro e deixando sua blusa vermelha no banco traseiro.
— Oh, saco! Tá bom! — Sandy bate a porta do carro e o tranca com a chave. — Quem me dá uma carona? — como resposta vê Ângela lhe estender o braço enquanto suas asas se formam completamente atraindo a atenção dos motoristas ao redor.
— E lá vamos nós. — diz Paulo enquanto um brilho branco envolve suas mãos e faíscas escapam pelas laterais de seus óculos escuros. Logo ele começa a levitar em um campo eletro-magnético. Enquanto isso, Mônica gera diversas chamas por seu corpo e deixa o solo gerando massas de ar quente.
— Choquinho... — ela diz olhando o amigo com um sorriso. — Você não chega aos pés do Zé Mayer! — dito isso, ela se eleva na companhia de Ângela com Sandy nos braços.
— Me esperem! — diz Paulo as seguindo, enquanto a multidão de curiosos cerca o carro. Alguns tentam ver em seu interior para entender algo dessa cena pitoresca, porém o som de um alarme sendo ativado os afastam. No alto, veem Sandy com o controle do alarme na mão.
— Até parece... — e o Esquadrão M se distancia do engarrafamento.
Em outro lugar.
— Espero que os senhores estejam... confortáveis. — diz o Visconde, esfregando os pulsos, ainda sentindo as marcas das algemas. Ele fala com os agentes da força tarefa A.L.F.A. que estão amarrados uns aos outros e sentados contra uma parede escura e envelhecida. Ainda meio atordoados os sete agentes olham para os lados tentando se localizar.
— Que... que raio de lugar é esse? — pergunta Sidney.
— Vocês, meus caros, são nossos hóspedes especiais. — diz o Visconde se apoiando em sua bengala. Este lugar é nossa base de operações. Gostamos de chama-lo de... o Sítio.
— Como viemos parar aqui? — pergunta Max tentando em vão se livrar das amarras.
— Não gaste seus neurônios atrofiados com questões pouco relevantes, meu rapaz. E poupe suas forças tentando remover essas cordas. Preocupe-se em manter-se acordado. Em breve vocês irão receber a vista da sua anfitriã. — Visconde se dirige até a porta daquele cativeiro e antes de cruzá-la ainda diz: — Até mais ver, meus amigos.
Deixando os agentes sozinhos e bem trancados, o Visconde trilha por corredores escuros e sujos que mais lembram uma casa mal-assombrada. Subindo uma escada que range como se fosse desabar a qualquer momento, ele chega até uma sala um pouco mais iluminada com fracas lâmpadas incandescentes. No meio da sala uma grande mesa de madeira e ao redor dela seus comparsas da Grimm's Gang Brasil.
— Como eles estão, Visconde? — pergunta a garota Nari, vasculhando as armas apreendidas de seus prisioneiros.
— Estão bem. Já estão acordando. São jovens fortes, mas não muito espertos, devo acrescentar.
— Vamos matá-los! — diz a estranha Crazy Emily riscando a mesa com seu dedo. — Vamos cortá-los em pedaços. Pedacinhos bem pequenos. E depois queimamos todos! — ela olha com empolgação para os demais, mas nenhum deles lhe dá atenção.
— Eles continuarão vivos. — diz o pequeno Pedro, livre dos sedativos. — Eles são agentes de uma organização não governamental que abriga super seres e sabe-se lá mais que tipos de atividades. Creio que podemos lucrar muito se tivermos acesso aos detalhes. E eles serão nossa chave para isso.
— Sim, meu jovem. — o Visconde toma um acento ao lado do garoto. — Só temos de esperar nossa líder retornar. A senhora Benedita saberá extrair deles toda informação que precisarmos.
— E não tem o risco de alguém vir tentar resgatar esse grupo? — pergunta o calado Quindo.
— Não enquanto a Mãe Anastácia mantiver sua magia que esconde o Sítio do resto do mundo. — diz o Visconde e sua atenção é focada num outro cômodo da casa, onde uma mulher negra e idosa aparece em um estado de transe mediúnico numa espécie de ritual mágico africano. O Visconde completa. — Só alguém muito inteligente ou um completo idiota para descobrir a entrada para o Sítio.
— Daí eu vou matar! Matar! Matar!! — diz Crazy Emily.
— Claro, querida. Claro que vai... — o Visconde diz pegando uma maçã do centro da mesa.
Nesse momento, o Esquadrão M aterriza em um ponto deserto da periferia da zona Sul da cidade. Ao redor, terrenos baldios, construções irregulares aparentemente vazias e nenhum sinal de vida humana.
— É aqui que o sinal dos Alfas desapareceu. — diz Ângela deixando Sandy no chão e consultando seu GPS enquanto suas asas são recolhidas.
— E o que poderia fazer o sinal deles sumir assim? — pergunta Sandy olhando ao seu redor.
— Não sei... tipo se os comunicadores fossem quebrados ou se tivessem entrado em alguma zona morta. — diz Ângela.
— Pois é isso que ele lugar me parece. Uma zona morta. — diz Mônica com certo medo no semblante.
— Faz sentido supor que esta região de alguma forma interfira no sinal GPS dos comunicadores, mas ao saírem daqui, o sinal teria voltado. — diz Paulo. — O que nos faz supor que eles ainda estão por aqui--
— Ou quebraram os comunicadores. — acrescenta Mônica.
— Ou quebraram os comunicadores... — Paulo diz sem graça. Nisso Ângela caminha pela rua de terra e nota algo particular:
— Vejam só isso. — ela diz e os outros se aproximam. — São marcas de pneu. Parecem recentes. — ela se abaixa e analisa as marcas no chão. A trilha segue pela estrada de terra até chegar de encontro a um muro parcialmente destruído. — Olhem só. As marcas somem a poucos centímetros desse muro. Carro algum imprimiria marcas de pneu tão próximas de um muro sem entrar de para-choque nele.
— Tá. Isso me deixou com mais medo desse lugar. — diz Mônica abraçando seu próprio corpo.
— Medo, que nada. — diz Paulo analisando o muro. — Me sinto num episódio do Scooby Doo!
— Então, qual é o truque? Como o carro passou por esse muro. — pergunta Sandy tateando o muro e não achando nada de estranho.
— Acho que iremos descobrir logo. — avisa Ângela avistando um carro se aproximando. — Escondam-se!
Assim eles procuram se esconder, usando a escuridão da noite como vantagem, enquanto um veículo se aproxima em franca velocidade, com os faróis altos e não se importando em fazer barulho. O carro aponta para o misterioso muro e vai de encontro a ele. E para a surpresa de todos (menos Mônica que fechou os olhos da nora do “impacto”) uma espécie de portal dimensional se abriu e o carro passou por ele.
— Vamos! — grita Ângela notando que o portal vai se fechando. Correndo e rolando pelo chão ela cruza o portal seguida pelos outros. O portal se fecha atrás deles restando apenas o muro inabalado.
Do outro lado, eles se surpreendem por continuarem rolando no que parece ser uma ribanceira leve. Só depois de algum tempo eles conseguem se por pé, vindo a notar que o ambiente é cercado por árvores tortas e feias que nascem numa espécie de pântano frio e malcheiroso e bem a sua frente há uma velha e grande casa, aparentemente de madeira, por quem o carro recém chegado contorna.
— Isso doeu! — exclama Paulo com a mão na cabeça e totalmente imundo.
— Entramos, não? — diz Ângela, não menos suja e com visível ar de nojo.
— Minha nossa! Era o que faltava. Uma mansão mal-assombrada! — diz Mônica tentando se limpar.
— Certo... Qual o próximo passo agora? — pergunta Sandy.
— Vamos nos divertir um pouco. — responde Ângela com um olhar sério.
Dentro da casa, os ocupantes do carro chegam na sala onde os outros se reúnem. Desceram do carro um homem gordo, de bigode fino e terno amarrotado com um cheiro asqueroso de carne de porco e uma senhora idosa, vestida de viúva e andando com ajuda de uma bengala. Todos os outros se levantam na presença da idosa. Ela faz pouco caso do ato de respeito e logo diz, com sua voz cansada e esganiçada:
— Onde eles estão?
— Por aqui, Senhora Benedita. — diz o Visconde que logo trata de levar a velha mulher até o cativeiro. Após descer a escada e cruzar o sombrio corredor, ele abre a porta do quarto, e a velha vê os sete jovens amarrados e enfraquecidos.
— Deixe-me a sós com eles. Irei tirar deles toda a informação sobre essa tal organização. — a sra. Benedita diz. Porém antes de sair, o Visconde pega do canto da sala uma cadeira e a posiciona no centro. Então sem nada dizer ele deixa a sala, ficando junto a porta, assim como o homem gordo de bigode. — Pois bem... — a Sra. Benedita se dirige aos prisoneiros. — Tem algumas coisinhas que eu quero saber de vocês. — ela tira da sua bolsa duas agulhas de tricô e um novelo de lã.
— Qual é, tia...? Vai fazer um suéter pra gente? — diz Max.
— Não meu rapaz... — responde a idosa cruzando habilmente as agulhas com o fio de lã. — Apenas me digam: o que faz essa organização para o qual vocês trabalham?
— Essa velha só pode ser louca. — comenta Karla. — A gente não vai falar nada. O que te faz pensar que--
— Ah, minha criança... vai falar sim. — ao passo que a Sra. Benedita tricota os subjugados Alfas vão entrando em um estado hipnótico.
— P%##a...! — diz Charlie já se sentindo sonolento. — Essa velha tá... Não é... possível!!
— Durmam, meus queridos... durmam...
Enquanto isso na sala de reuniões da Grimm's Gang Brasil.
— Quando vamos matar?! — pergunta Crazy Emily arranhando a mesa com seus dentes.
— Cala essa sua boca fedorenta. — responde o pequeno Pedro.
— Eu quero ver sangue! Sangue!! Eu PRECISO de san--
O protesto de Crazy Emily é interrompido com uma forte explosão e pedações de madeira voando para todos os lados. Nari e Quindo ficam em guarda enquanto o pequeno Pedro recua. Crazy Emily não sai do lugar.
— Ah, olha só! — diz Máximo surgindo no buraco formado na parede. — Eu disse que eles estavam aqui.
— Epa. Olha o garoto emo lá! E o resto dessa gente eu não conheço. — diz Flamy, levitando e em chamas. Sandy e Harpia surgem logo atras.
— Como eles entram aqui?! — pergunta Nari, se armando com uma metralhadora.
— Isso não importa! — diz Harpia formando pontas afiadas em seus ante-braços. — Viemos buscar a força tarefa A.L.F.A. custe o que custar.
— Eu vou matar!! MATAR!!! — grita Crazy Emily torcendo seu próprio corpo num ângulo impossível e se jogando contra o Esquadrão M.
Quem recebe o ataque é Sandy, que a tempo se dissolve em areia fazendo a oponente encontrar apenas o chão. Em seguida ela golpeia a vilã pelas costas. Em seguida, Quindo usa de sua força para erguer a mesa no centro e atirar contra os heróis. A mesa é repelida pelos raios de Máximo. Surgindo do que restou da mesa, Harpia salta contra Nari, cortando ao meio a metralhadora antes que a vilã consiga dispará-la. Nisso, Flamy lança um ataque contra Quindo que tenta se proteger com os braços.
— Aaarrrgh! Fogo!! — grita o grandalhão com os braços queimados.
— Deixa que eu neutralizo essa garota. — diz o pequeno Pedro, e usando o seu poder, faz os poderes de Flamy desaparecerem. A garota cai sentada da pequena altura em que estava. Máximo também é afetado e seu campo elétrico se desfaz.
— Mas que diabos...? — diz Sandy ao ver seu corpo sendo reconstituído à forma humana, para o prazer de Crazy Emily.
— MATAAAAAAAAR!! — seus braços desossados envolvem Sandy enquanto a estranha vilã sobe pela parede usando suas pernas igualmente maleáveis até chegar ao teto, se enroscar em um cano exposto, e suspender a adversária do chão.
— Sandy! — grita Harpia, vendo ela que suas lâminas de metal se soltam de seu corpo graças aos poderes do pequeno Pedro. Ela pega uma dessas lâminas com a mão e se safa dos ataques de Nari. Em seguida salta sobre os destroços no chão e golpeia o braço de Crazy Emily com a lâmina. A vilã grita e solta Sandy, depois vindo a se jogar para trás no chão como um amontoado de trapos.
Paralelamente Quindo ataca Flamy e Máximo que apenas conseguem escapar dos fortes golpes.
— Alguém tem que tirar esse emo daqui! — diz Flamy passando por baixo das pernas de Quindo.
— Sim, ele bloqueia nossos poderes. — responde Máximo agarrando uma ripa de madeira e cravando no pé do inimigo.
— Deixa isso comigo. — diz Harpia, segurando firmemente sua lâmina. Ela se dirige para o pequeno Pedro correndo a curta distância, mas o garoto foge por um caminho oposto ao que leva ao cativeiro subterrâneo. Harpia o segue. Nari tem a intenção de segui-la também, mas é impedida por Máximo que a atinge com um pedaço de pau. Finalmente com o pequeno Pedro fora da sala, os heróis percebem seus dons voltarem.
— Agora é nossa vez... — diz Máximo concentrando uma grande bola luminosa. O som da subsequente explosão é ouvida por Visconde.
— Hmmm... Parece-me que há alguma perturbação lá em cima. Gostaria de ir ver meu amigo? — o outro homem coça seu bigodinho e num ar de resmungo se dirige até a escada. No caminho ele tira da calça um cutelo. — Oh, céus... — Visconde suspira. — Espero que isso não atrapalhe a Sra. Benedita. Senão ela iria ficar muito, muito zangada.
No andar de cima onde se desenrola a luta, Crazy Emily se recupera e ataca Máximo por trás. Sandy tenta imobilizar o forte Quindo enquanto Flamy controla um foco de incêndio que ela mesmo causou após inutilizar as armas de Nari antes que esta se recupere. O homem gordo com o cutelo surge na porta, não se importando em fazê-la em pedaços. Mostrando certa velocidade e força, ele passa pelas chamas e acerta Flamy com um soco. A garota rola pelo chão e desacorda.
— Mônica!! — grita Máximo.
— Fique quieto, lindo. Para que eu possa te fazer em pedaços!! — diz Crazy Emily o cercando e usando seu abraço. O envolve com braços e pernas de forma que deixa de tocar no chão.
— Cometeu o pior erro da sua vida! — diz Máximo gerando um forte campo elétrico em torno de si. A eletricidade parece demorar a chegar na vilã, que continua a exibir seu sorriso sinistro. Mas isso dura pouco, e quando uma fumaça escura começa a subir o sorriso se desfaz e dá lugar a uma cara de dor e medo. — Já chega! — ampliando o campo causando uma forte luz branca que envolve o ambiente, Máximo derruba a adversária que não deve levantar tão cedo.
Nisso, Harpia continua perseguindo o pequeno Pedro. A proximidade com o garoto ainda inibe o uso de seus poderes. Ela o segue por uma longa escada que parece levar até o topo daquela casa. A escada sobe em espiral e o jovem vilão aparentemente se vê em um beco sem saída. Harpia se aproxima com sua lâmina em punho.
— Fim da linha. — ela diz, não percebendo nenhuma reação do outro.
— Vai me matar? — ele diz, com seu ar sombrio.
— Não. Não é minha índole.
— Que pena. — de súbito, pequeno Pedro se atira para frente. Esperando um ataque Harpia se prepara, mas o que ela vê é o rapaz se atirando no vão da escada. Da forma mais rápida que pode, reagindo por reflexo, Harpia consegue agarrar sua perna e no impulso começa a cair também. Com a outra mão livre, ela alcança o corrimão que vem logo abaixo atirando o pequeno Pedro contra a parede ao lado da escada. A força do golpe (ou a podridão da parede de madeira velha) faz a superfície ruir e os dois invadem o cômodo.
No lugar, decorado com velas, ídolos africanos e com forte cheiro de fumaça, Harpia vê uma mulher negra idosa em estado de transe. Porém a mulher deixa seu transe e abre os olhos com a confusão. E ao ver o pequeno Pedro ao seus pés, ela solta um grito de horror.
— NÃÃOOO!!! — e no mesmo tempo todo o clima místico ao redor é quebrado. Também todo o encantamento que esconde aquele sítio do resto do mundo. No lugar outrora deserto onde se abriu o portal surge a casa. Seus habitantes percebem o distúrbio. Principalmente a Sra. Benedita, pois seus dons hipnóticos também perdem o efeito.
— O que está havendo?! — ela diz, mas faz noção da resposta. A sua frente, os Alfas despertam de seu sono, e também recuperam as forças, pois a magia que de alguma forma os prendia ali não existe mais. E só agora eles percebem que não há corda nenhuma prendendo-os. Um por um eles vão se levantando. — Essa não...
Do lado de fora do cativeiro, o Visconde escuta sons nada agradáveis.
— Oh, não... — ele murmura quando um braço forte o puxa para dentro. E após um forte golpe ele não diz mais nada.
— Não sei o que aconteceu, mas é uma boa hora pra dar o fora daqui. — diz Max, a frente de seus soldados, se dirigindo até a escada que os separa da saída.
— Quem disse que precisaríamos da ajuda daqueles CDFs? — diz Roger. No momento em que Max passa pela porta destruída.
—O que você dizia...? — Max diz, e todos veem Máximo, Flamy e Sandy triunfantes sobre a Grimm's Gang desacordada aos seus pés. Em seguida surge Harpia, com o pequeno Pedro e a Mãe Anastácia sob custódia.
— Não sei o que você fez, Ângela... mas deu certo. — diz Sandy recepcionando a amiga.
— Não sei direito também, mas... Acho que o trabalho está terminado por aqui. — diz Harpia. Em seguida ele se dirige para os Alfas. — Vocês podem nos agradecer depois. Agora que tal nos ajudar a levar esses criminosos para as autoridades? — Os Alfas se olham entre si mas nada dizem.
— Vamos embora. Preciso de um banho! — diz Máximo.
— E eu tô com fome. — diz Flamy se apoiando no rapaz.
— Você sempre tá com fome, criatura! — Máximo responde.
— Chega! Nem comecem! — diz Sandy se colocando entre os dois. — Temos um assunto muito importante pra tratar: meu carro tá parado no meio da rua!
— Certo! — diz Harpia sorrindo. — Vamos lá buscá-lo.
No amanhecer.
— O que aconteceria se o Pinóquio falar “Meu nariz irá crescer agora”? — pergunta Paulo, estando ele e Mônica sentados no sofá diante da televisão.
— Eita... peraí... — Mônica fica pensativa. — Se crescer, então ele falou a verdade, mas o nariz só cresce quando ele mente. E se não crescer, então ele mentiu. Mas se ele mentiu, o nariz irá crescer e então será verdade!
— A-há! — exclama Paulo. — Este é o enigma do milênio!
— Não, pô... já sei. Ele vai explodir! — Mônica se põe de joelhos sobre o sofá. Alheias a essa conversa, Ângela opera o terminal de computador fazendo uma pesquisa arqueológica e Sandy se exercita numa bicicleta ergométrica. De repente um alerta de nova chamada surge da tela do monitor. Todos param o que estão fazendo e se agrupam junto de Ângela no computador.
— Atenção Esquadrão M. — diz Simon Smith, o Temporal numa vídeo conferência. — Temos uma missão importante. Venham todos para o Rio de Janeiro!
A seguir: O Rapto do Garoto de Ouro.



